GRANDES NOMES

CRONOLOGIA DE ARY BARROSO  (GRANDES NOMES) escrito em sexta 28 novembro 2008 04:48

1903 Em 7 de novembro nasce, na cidade de Ubá, em Minas Gerais, Ary Evangelista Barroso. 1911 Seus pais morrem e ele passa a ser criada pela avó, Gabriela Augusta de Rezende, e pela tia professora de piano, Rita Margarida de Rezende. 1915 Começa a trabalhar como pianista auxiliar no Cine Ideal, apesar do empenho da avó e da tia em fazê-lo padre. 1918 Aos 15 anos, compõe o cateretê "De longe" e a marcha "Ubaenses Gloriosos". 1920 Muda-se para o Rio de Janeiro. 1921 Matricula-se na Faculdade de Direito. 1922 Reprovado na faculdade, começa a fazer fundo musical para filmes mudos no Cine Íris. 1923 Passa a tocar com a orquestra do maestro Sebastião Cirino. 1928 Contratado pela orquestra do maestro Spina, de São Paulo, para uma temporada em Santos e Poços de Caldas. Nessa época, Ary resolve dedicar-se à composição. Compõe "Amor de mulato", "Cachorro quente" e "Oh! Nina", em parceria com Lamartine Babo. 1929 A música "Vamos deixar de intimidade" é gravada por Mário Reis e se transforma no seu primeiro sucesso. Conclui a Faculdade de Direito. 1930 Fica em primeiro lugar no concurso da Casa Edisor com a marcha "Dá nela". Com o dinheiro do prêmio, casa-se com Ivone Belfort de Arantes. 1931 Ary escreve a música "A grota funda", que, depois, tem a letra alterada por Lamartina Babo e se transforma no sucesso "O rancho fundo". 1932 Vai trabalhar na Rádio Phillips como pianista, mas logo se torna, também, locutor esportivo, humorista e animador. 1934 Cria na Rádio Cosmos, de São Paulo, o programa "Hora H". 1935 Leva o programa "Hora H" para a Rádio Cruzeiro do Sul, no Rio de Janeiro. 1937 Lança, na Rádio Cruzeiro do Sul, o programa "Calouros em Desfile", onde obrigava os candidatos a só cantarem músicas brasileiras. Depois, essa atração vai para a TV Tupi. 1938 Vai para a Rádio Tupi onde atua como lucutor, comentarista, humorista e ator. 1939 Lança, no espetáculo 'Joujox et balagandans', de Henrique Pongetti, o samba "Aquarela do Brasil". 1944 Pela primeira vez, vai aos Estados Unidos e compõe, para o filme 'Brasil', a música "Rio de Janeiro", que é indicada ao Oscar. 1946 Ary é eleito o segundo vereador mais votado do Rio de Janeiro, então Distrito Federal. 1955 No dia 7 de setembro, Ary e Villa-Lobos se encontraram no Palácio do Catete para receber a Ordem do Mérito, concedida pelo Presidente da República, Café Filho. 1960 É nomeado Vice-presidente do Departamento Cultural e Recreativo do Clube de Regatas Flamengo. 1961 Ary adoece de cirrose hepática e muda-se para um sítio em Araras. 1962 Parcialmente restabelecido, volta ao Rio e retoma seu progama da rede Tupi, "Encontro com Ary". 1963 No final do ano tem nova crise de cirrose hepática. 1964 No dia 9 de fevereiro, falece o compositor brasileiro mais conhecido no seu país e no exterior.

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PRINCIPAIS SUCESSOS DE ARY BARROSO  (GRANDES NOMES) escrito em sexta 28 novembro 2008 04:22

Principais sucessos: * A casta Suzana, Ary Barroso e Alcir Pires Vermelho, 1941 * Aquarela do Brasil, Ary Barroso, 1939 Aquarela do Brasil com Francisco alves (1939) * Aquarela mineira, Ary Barroso, 1951 * Boneca de piche, Ary Barroso e Luiz Iglezias, 1938 * Brasil moreno, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1941 * Camisa amarela, Ary Barroso, 1939 * Casta Susana, Ary Barroso, 1939 * Como vais você, Ary Barroso, 1936 * Dá nela, Ary Barroso, 1930 * É luxo só, Ary Barroso, 1959 * Eu dei, Ary Barroso, 1937 * Faceira, Ary Barroso, 1931 * Foi ela, Ary Barroso, 1934 * Folha morta, Ary Barroso, 1952 * Grau dez, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1934 * Inquietação, Ary Barroso, 1933 * Isto aqui o que é?, Ary Barroso, 1941 * Maria, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1932 * Morena Boca de Ouro, Ary Barroso, 1941 * Na Baixa do Sapateiro, Ary Barroso, 1938 * Na batucada da vida, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934 * Na virada da montanha, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1935 * No rancho fundo, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1931 * No tabuleiro da baiana, Ary Barroso, 1936 * Os quindins de Iaiá, Ary Barroso, 1940 * Por causa dessa caboca, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 193..... * Pra machucar meu coração, Ary Barroso, 1943 * Quando eu penso na Bahia, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1937 * Rancho das namoradas, Ary Barroso e Vinícius de Moraes * Rio, Ary Barroso, * Rio de Janeiro, Ary Barroso, 1950 * Risque, Ary Barroso, 1952 * Terra seca, Ary Barroso, 1943 * Três lágrimas, Ary Barroso, 1941 * Tu, Ary Barroso, 1933 * Upa! Upa! (A canção do trolinho), Ary Barroso, 1940 * Vamos deixar de intimidade, Ary Barroso, 1929

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GRANDES NOMES-ARY BARROSO  (GRANDES NOMES) escrito em sexta 28 novembro 2008 04:16

http://www.geocities.com/locbelvedere/Biografia/Imagens/AryBarrosoCaricatura.gif

Ary Barroso Ary Evangelista Barroso, pianista, compositor, regente, radialista, advogado e vereador. Y 7/11/1903, Ubá, MG ~ V 9/2/1964, Rio de Janeiro, RJ. Filho do deputado estadual e promotor público Dr. João Evangelista Barroso e Angelina de Resende Barroso. Aos 8 anos, órfão de pai e mãe, Ary foi adotado por sua avó materna, Gabriela Augusta de Resende. Fez seus estudos curriculares na Escola Pública Guido Solero, Externato Mineiro do prof. Cícero Galindo, Ginásios: São José, Rio Branco, de Viçosa, de Leopoldina e de Cataguases. Estudou teoria, solfejo e piano com sua tia Ritinha. Com 12 anos já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal, em Ubá. Aos 13 anos trabalhou como caixeiro da loja “A Brasileira”. Com 15 anos fez a sua primeira composição, um cateretê De longe. Em 1920, com o falecimento de seu tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, recebeu uma herança de 40 contos (milhões de reis). Então, aos 17 anos veio ao Rio de Janeiro estudar direito, ali permanecendo sob a tutela do Dr. Carlos Peixoto. Aprovado no vestibular, cursou até o segundo ano da Faculdade Nacional de Direito. Suas economias exauriram o que o fez empregar-se como pianista no Cinema Íris, no Largo da Carioca e, mais tarde, na sala de espera do Teatro Carlos Gomes com a orquestra do maestro Sebastião Cirino. Tocou ainda em muitas outra orquestras. Em 1926, retoma seus estudos de direito, sem deixar as atividades de pianista. Continuou seus estudos até ser convidado a ir tocar na cidade de Poços de Caldas. Ali permaneceu 8 meses. Em 1929, retornando ao Rio, trouxe na bagagem algumas composições, as quais vendeu, cedendo todos os direitos. Começou então a compor para o teatro de revista estreando em Laranja da China, de Olegário Mariano e Luiz Peixoto. Compôs também para Brasil do Amor, É do Balacobaco entre tantas outras. De 1929 a 1960, musicou mais de 60 peças. Sua primeira música gravada foi Vou à Penha, em 1929, por seu colega de faculdade, Mário Reis. Na voz do mesmo cantor conheceu seu primeiro sucesso, Vamos deixar de intimidades. Em 1930 vence o concurso de músicas carnavalescas da Casa Edison com a marchinha Dá nela, percebendo o prêmio de 5 contos de réis. Com este dinheiro casou-se com sua noiva, Ivone Belfort Arantes. Com ela teve dois filhos, Flávio Rubens e Mariúsa. Neste mesmo ano bacharelou-se em Direito, na turma de Mário Reis. Em 1931 segue para Belo Horizonte e ali, seu tio, o deputado estadual Alarico (ou Inácio) Barroso, consegue-lhe uma nomeação para juiz municipal de Nova Resende, MG. Após meditar sobre o assunto, Ary recusa o cargo e retorna ao Rio para tentar carreira através da música. Começa então compor com determinação e começa a ganhar alguns trocos através da venda de suas partituras editadas pela Casa Wehrs. Com a Orquestra de Napoleão Tavares, em 1934 Ary conheceu a Bahia. Por essa ocasião, começa a tocar nos programas de rádio, tais como o Horas de Outro Mundo de Renato Murce e no Programa Casé, ambos na Rádio Philips do Rio de Janeiro. Na Rádio Cosmos de São Paulo, criou seu programa Hora H. Mais tarde, na Rádio Cruzeiro do Sul, RJ, estréia seu primeiro programa Hora do Calouro onde o anima com graça e impiedade. Nos anos 50 também foi ao ar na TV Tupi com os programas Calouros em desfile e Encontro com Ary. Seus programas revelaram nomes que fariam nome na história da MPB, tais como Dolores Duran, Elza Soares, Elizeth Cardoso, Zé Keti, entre outros. Estreou como locutor esportivo irradiando corridas de automóveis no Circuito da Gávea. Mais tarde, transmitindo partidas de futebol, ficou famoso por anunciar os gols através o toque de uma gaitinha e por sua escandalosa parcialidade em favor do Flamengo. Em 1944 foi para os Estados Unidos convidado a compor a trilha sonora do desenho animado Você já foi à Bahia?, de Walt Disney. Por tal feito recebeu o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood. Em 1946 candidatou-se e elegeu-se vereador do então Distrito Federal pela UDN (União Democrática Nacional). Não conseguiu repetir o feito em 1950, abandonando a política. Lutando a favor do compositor brasileiro, Ary foi conselheiro da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), fundador da UBC (União Brasileira de Compositores) e mais tarde da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Editores Musicais), a qual também foi presidente. Em 1953 organizou a Orquestra de Ritmos Brasileiro e com ela excursionou por vários países da América Latina. Em 1961 adoece seriamente de cirrose hepática, doença esta que lhe tirou a vida em 9/2/1964, um domingo de Carnaval, dia este que, por ironia do destino, a Império Serrano desfilava na avenida apresentando o enredo Aquarela do Brasil. Em 1988 foi novamente homenageado como o tema da escola, pela União da Ilha. Ao todo são reconhecidas cerca de 264 composições de Ary Barroso. Ary ficou mundialmente conhecido, por ser o criador da obra-prima que é a música Aquarela do Brasil, que teve centenas de gravações em todo o mundo e foi uma das músicas brasileiras que mais produziu direitos autorais no exterior.

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MAZZAROPI entrevistado por armando salem para a revista veja em 28/01/1970  (GRANDES NOMES) escrito em sexta 21 novembro 2008 04:30

De Jeca a Djeca, um sucesso de 25 anos, com os cinemas sempre lotados Esta semana, mais um de seus filmes está sendo lançado nos cinemas de São Paulo para depois correr o Brasil. “Uma Pistola para Djeca”. Produtor, ator, criador do personagem, ele é capaz de jurar que Djeca não vem de Django, o pistoleiro italiano: “Djeca é um herói caboclo do Brasil do século XIX”. Ele é Amácio Mazzaropi, sucesso garantido em bilheteria, um homem que dá risadas das histórias contadas a respeito de sua fortuna. Mora numa casa classe média - três quartos, sala, banheiro, cozinha - num bairro classe média de São Paulo. Na garagem, um automóvel Galaxie amarelo, que Mazzaropi mesmo dirige, desmente uma das histórias: a do bilionário caipira que - charuto na boca, terno de linho branco trocado pelo chapéu-coco, chofer na direção de um magnífico Rolls-Royce - de vez em quando passeia nas ruas da cidade. Parece ser um homem simples, como os personagens que viveu durante 25 anos (completa o jubileu este ano) nas telas dos cinemas nacionais. Tem um pouco do “Zé do Periquito”, do “Padre”, do “Corinthiano”. Solteirão nascido na capital de São Paulo em 9 de abril de 1912, filho de um casal classe média, Dona Clara e Bernardo - um próspero dono de mercearia - iria crescer sem problemas financeiros mas com muita preguiça: mal conseguiu terminar o ginásio. Do avô Amácio Mazzaropi (imigrante italiano que foi trabalhar nas terras do Paraná) não herdou só o nome, mas o gosto pela vida do campo que o levou um dia a pesquisar no interior o personagem de calças curtas, canela aparecendo, botinas, fala arrastada - o caipira Mazzaropi. DO CIRCO AO CINEMA, SEMPRE O MESMO PERSONAGEM Veja - Qual é o seu público? Mazzaropi - Meu público é o Brasil, do Oiapoque ao Chuí. Eu loto casa em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre, Rondônia, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, ilha do Bananal… Veja - Sim, mas como você definiria esse público: gente simples, classe baixa, elite, velho, moço? Mazzaropi - É público bom, fiel. Veja - Você não gosta de falar? Mazzaropi - Não. Veja - Por quê? Mazzaropi - Porque deturpam tudo o que eu falo. Veja - Quem deturpa? Mazzaropi - A crítica. A imprensa. Veja - E como se faz para contar quem é Mazzaropi e o que ele pretende fazer daqui para a frente? Mazzaropi - Conte minha verdadeira história, a história de um cara que sempre acreditou no cinema nacional e que, mas cedo do que todos pensam, pode construir a indústria do cinema no Brasil. A história de um ator bom ou mau que sempre manteve cheios os cinemas. Que nunca dependeu do INC - Instituto Nacional do Cinema - para fazer um filme. Que nunca recebeu uma crítica construtiva da crítica cinematográfica especializada - crítica que se diz intelectual. Crítica que aplaude um cinema cheio de símbolos, enrolado, complicado, pretensioso, mas sem público. A história de um cara que pensa em fazer cinema apenas para divertir o público, por acreditar que cinema é diversão, e seus filmes nunca pretenderam mais do que isso. Enfim, a história de um cara que nunca deixou a peteca cair. Veja - Conte então sua história. Mazzaropi - Quando eu comecei minha vida artística, muito pouca gente que vai ler esta história existia. Nasci em 1912, e na época em que comecei tinha uns quinze anos. Naquele tempo, o gênero de peças que fazia sucesso no teatro era caipira. E, como todo mundo, eu gostava de assisti-las. Dois atores, em particular, me fascinavam. Genésio e Sebastião de Arruda. Sebastião mais que Genésio, que era um pouco caricato demais para meu gosto. Nem sei bem por que, de repente, lá tava eu trabalhando no teatro. Mas não como ator - eu pintava cenários. Aliás, eu amava a pintura, sempre amei a pintura. Pois bem, um belo dia “perdi” o pincel e resolvi seguir a carreira de ator. No começo procurei copiar a naturalidade do Sebastião, depois fui para o interior criar meu próprio tipo: caboclão bastante natural (na roupa, no andar, na fala). Um simples caboclo entre os milhões que vivem no interior brasileiro. Saí pro interior um pouco Sebastião, voltei Mazzaropi. Não mudei o nome (embora tivessem cansado de me aconselhar a mudá-lo) por acreditar não haver mal nenhum naquilo que eu ia fazer. Os amigos diziam que Mazzaropi não era nome de caipira, que era nome de italiano, mas eu respondia para eles que, se não era, iria virar. Que eu não tinha vergonha do que ia fazer e, por isso, ia fazer com meu nome. E o público gostou do meu nome, gostou do que eu fiz. Turnês em circos, teatros, recitando monólogos dramáticos, fazendo a platéia rir, chorar. Mas sempre com uma preocupação: conversar com o público como se fosse um deles. Ganhava 25 mil-réis por apresentação quando comecei, passei a ganhar bem mais quando montei a minha própria companhia (1). De nada adiantou a preocupação dos meus pais quando eu saí de casa: “quem faz teatro morre de fome em cima do palco”. Eu fiz e não morri, pelo contrário, sempre tive sorte - sempre ganhei dinheiro. Mas eu era bom, era o que o público queria. Em 1946 assinava um contrato na Rádio Tupi - onde fiquei oito anos. Em 1950 ia para o Rio de Janeiro inaugurar o canal 6, e começava minha vida na televisão (2). Um dia, num bar que havia pegado ao Teatro Brasileiro de Comédia, entrou Abílio Pereira de Almeida. A televisão estava ligada, o programa era o meu. Ele me viu. Uma semana depois, uma série de testes me aprovava para fazer o meu primeiro filme: “Sai da Frente”. Meu primeiro salário no cinema - 15 contos por mês. No segundo já ganhava 30, depois 300, hoje eu produzo meus próprios filmes. E o público, como no meu tempo de circo, vai ver um Mazzaropi que faz rir e chorar. Um Mazzaropi que não muda. A MÁGOA DE MAZZAROPI: UMA CRÍTICA QUE SÓ PENSA EM DINHEIRO Veja - Sua história parece girar em torno de cifras. Você é louco por dinheiro? Mazzaropi - Não, acho que dinheiro não traz felicidade na vida. Tá certo que ajuda, mas, em compensação, quem tem, além de viver intranquilo, passa a ter desconfiança em vários setores da vida. Quem tem dinheiro sempre duvida de quem se aproxima - não sabe se é um amigo ou se vem dar uma bicada. Veja - Quanto você ganha? Mazzaropi - Mas por que vocês se preocupam tanto com o que eu ganho? Vão perguntar pro Pelé, que marcou mil gols. Ele é muito mais rico que eu. Tudo que tenho em meu nome é a casa onde moro. O resto está tudo em nome da Pam-Filmes. Veja - Tem sócio? Mazzaropi - Não, não tenho. Tenho o necessário para pensar em fazer amanhã ou depois a indústria cinematográfica de que falei. Tenho câmeras de filmar, holofotes, lâmpadas, cavalos, cenários, agências em São Paulo, Rio, Norte do país, e uma fazenda de 184 alqueires no Vale do Paraíba - Taubaté - que serve perfeitamente de estúdio para os filmes que rodo. Como vê, tudo que ganho é aplicado na Pam-Filmes, no cinema brasileiro. E depois vêm esses críticos de cinema metidos a intelectuais dizendo: “O Mazzaropi tá cheio de dinheiro. Ele tá podre de rico. Não sabe onde pôr o dinheiro”. Não são capazes de entender que eu faço cinema como indústria. E o cinema é uma indústria como qualquer outra. Eu faço o cinema-indústria e vou fazer a indústria brasileira de cinema. Veja - Acredita mesmo nisso? Mazzaropi - Acredito e não estou longe dela. Não uma indústria exportadora. Não sou visionário. Uma indústria que seja capaz de suprir o mercado interno de filmes é o suficiente. Não podemos pensar em conquistar o mercado externo - nós não temos nem lâmpadas aqui. Tudo que temos vem de lá. Mas, se nós pudermos ter uma indústria produzindo fitas nacionais, se nossas salas ficassem ocupadas por fitas nacionais, quanto dinheiro nós estaríamos evitando de mandar para fora! Veja - É um sonho muito bonito. Mas há público no Brasil para fitas nacionais? Ou seria a falência dos exibidores? Mazzaropi - Não posso falar pelos outros porque não conheço os resultados dos números daquilo que eles fazem. Tenho muita vaidade em dizer que eu não tenho nenhum problema de exibição de meus filmes. Os exibidores fazem fila na porta da Pam-Filmes. O público vai ver minhas fitas e sai satisfeito. Eu já consegui colocar 13000 pessoas num dia, nas várias sessões do Art Palácio, em São Paulo. Com isso, ando de cabeça erguida. Agora, pelo outro tipo de filme feito no Brasil, não respondo. Não sei se ele pode ajudar a indústria cinematográfica nacional. Veja - Que outro tipo de filme? Mazzaropi - Esse tal de Cinema Novo. Veja - Você é contra o Cinema Novo? Mazzaropi - Não, eu não tenho nada contra ele. Só acho que a gente tem que se decidir: ou faz fita para agradar os intelectuais (uma minoria que não lota uma fileira de poltronas de cinema) ou faz para o público que vai ao cinema em busca de emoções diferentes. O público é simples, ele quer rir, chorar, viver minutos de suspense. Não adianta tentar dar a ele um punhado de absurdos: no lugar da boca põe o olho, no lugar do olho põe a boca. Isso é para agradar intelectual. Veja - Você parece ter muito raiva dos intelectuais. Mazzaropi - E tenho mesmo. É fácil um fulano sentar numa máquina e escrever: “Hoje estréia mais um filme de Mazzaropi. Não precisam ir ver, é mais uma bela porcaria”. Mas não explicam por quê. Talvez com raiva pelo fato de eu ganhar dinheiro, talvez por acreditarem que faço as fitas só para ganhar dinheiro. Mas não é verdade, porque o maior de todos os juízes fugiria dos cinemas se isso fosse verdade - o público. Veja - O que você acredita oferecer para o seu público? Mazzaropi - Distração em forma de otimismo. Eu represento os personagens da vida real. Não importa se um motorista de praça, um torcedor de futebol ou um padre. É tudo gente que vive o dia-a-dia ao lado da minha platéia. Eu documento muito mais a realidade do que construo. Quando eu falo tanto na parte comercial, não quer dizer que é só com isso que eu me preocupo. Se um crítico viesse a mim fazer uma crítica construtiva, mostrar uma forma melhor de eu ajudar o público - eu aceitaria e o receberia de braços abertos. Mas em momento nenhum aceitaria que ele tentasse mudar minha forma de fazer fitas. Elas continuariam as mesmas, pois é assim que o público gosta e é assim que eu ganho dinheiro para amanhã ou depois aplicar mais na indústria brasileira do cinema. E se os críticos se preocupassem menos com o que eu ganho e mais com as salas vazias do Cinema Novo entenderiam que cinema sem dinheiro não adianta. Que não adianta a gente começar pondo o carro adiante dos bois. Veja - Quanto rendem seus filmes Mazzaropi - A resposta só pode ser dada pela contabilidade do escritório da Pam. É lá que eu confiro os balanços. De cabeça só tenho as cifras da renda total do filme que exibi no ano passado: “O Paraíso das Solteironas”. Do dia da estréia, 24 de janeiro de 1969, até 19 de janeiro de 1970, o filme rendeu 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros velhos. Veja - Quanto custou a produção? Mazzaropi - Não me lembro. Veja - E a do último? Mazzaropi - “Uma Pistola para Djeca” ficou entre 500 e 600 milhões de cruzeiros velhos. É o meu filme mais caro e mais bem cuidado. Colorido especial, guarda-roupa especialmente feito para o filme, que está, realmente, muito bonito. Procuro sempre melhorar a qualidade técnica dos filmes que produzo. É este o algo mais que eu procuro dar ao público. Infelizmente, o que falta no Brasil é gente inteligente, que entenda de cinema. Faltam diretores, roteiristas, cinegrafistas, falta tudo. Veja - Dos papéis que já representou, qual o mais importante? Mazzaropi - Gostei de todos os filmes que fiz, por isso é difícil dizer qual o papel que mais me realizou. Veja - Não teria sido “Nadando em Dinheiro”? Mazzaropi - Quem sabe! Não é verdade, é brincadeira. Gostei do Candinho, do Motorista, do Corintiano, gostei mesmo de todos. Mas talvez eu fique com a opinião do presidente da Academia Brasileira de Letras, que, no dia 17 de janeiro de 1968, escrevia e assinava um bilhete dirigido a mim (eu o guardo até hoje num quadro sobre a lareira de minha sala): “Astraugesilo de Ataide considera que, com “Jeca Tatu e a Freira” Mazzaropi alcançou no cinema o mais alto nível de sua arte. É hoje, sem nenhum favor, um artista de categoria mundial”. A FAVOR DO PALAVRÃO MAS CONTRA OS EXAGEROS DO SEXO Veja - Você contou ter entrado no teatro através da pintura. Até hoje você pinta? Mazzaropi - Não, apenas gosto. Veja - Que gênero prefere? Mazzaropi - Sou um conservador, prefiro a pintura clássica. Principalmente dos quadros que têm paisagem, talvez por me fazerem lembrar o campo, o contato com a natureza. Veja - E quanto a leitura? Mazzaropi - Só leio “Tio Patinhas”. Veja - Sente saudade do teatro? Mazzaropi - Oh, se sinto. Mas de vez em quando dá pra matá-la. Faço alguns shows beneficentes em circos e teatros do interior. Veja - Representando coisa séria? Ou vivendo o caipira Mazzaropi? Mazzaropi - É muito difícil separar um do outro. Eu já fiz teatro sério: interpretei “Deus lhe Pague” e “Anastácio”, de Juracy Camargo; “Era uma vez um Vagabundo”, do Wanderlei, e várias peças do Oduvaldo Viana. Em todas elas eu sempre fui Mazzaropi. Não interessa se fazia o público rir ou chorar. Ele sempre estava vendo o Mazzaropi, pois eu não posso mudar meu jeito de rir, falar, olhar. Veja - Você vai muito ao teatro? Mazzaropi - Sim, bastante. Veja - O que pensa do novo teatro, do palavrão, do nu? Mazzaropi - Não tenho nada contra ele. Pelo contrário, até gosto das peças que têm nu, palavrão, mas quando eles vêm por necessidade, por decorrência da própria história. Não do palavrão, do nu forçados. De um punhado de gente pelada se esfregando maliciosamente pelas paredes do teatro; do sensacionalismo para ganhar público. No início, eles vão conseguir encher os teatros - é certo. Mas e depois, este público volta? Não, claro que não volta. Nem a minoria que vai ao teatro consegue agüentar ficar vendo gente pelada e ouvindo palavrões o tempo inteiro. Calculem a população de São Paulo e façam uma relação do número de teatros que nós temos e vejam quantos estão cheios. Vejam quantos lugares têm esses teatros - e verão que a freqüência é mínima. O grande público fica em casa. Aceita Chacrinha, Sílvio Santos, Hebe Camargo, vê televisão. Vai ao cinema ver os meus filmes e depois eu passeio pelas ruas e ouço um pai de família: “Mazzaropi, seus filmes são ótimos. A gente pode levar a família para assisti-los”. Já imaginaram se eu aparecesse pelado para esse público? Ele nunca mais iria me assistir no cinema. Veja - Você falou na aceitação da televisão. Por que não volta a fazer? Mazzaropi - Já tenho muito trabalho com a Pam-Filmes. Faço um filme por ano - mas ele dá um trabalho! Cinco meses de preparação de roteiro, cenários, etc. Dois meses para filmar. O resto é problema de distribuição. Não dá para fazer mais nada. E não estou mais na idade de ter patrão. Tenho meu negócio, trabalho a hora que quero. Não dou satisfação a ninguém. Na TV eu iria ter patrão. Veja - Mas você gosta de televisão? Mazzaropi - Oh, se gosto. Assisto sempre. Tudo que consegue se comunicar com o público me fascina. Gosto do Sílvio Santos e da Hebe, principalmente. Eles vieram do nada como eu. Ganham dinheiro para divertir o público, e divertem. Não adianta nada a crítica chamar a Hebe de burra. Ela nunca disse para ninguém que era professora. Não adianta dizer que ela só fala bobagens - o público gosta do que ela fala. E quem manda é o público. Veja - Tem planos para o futuro? Mazzaropi - Sim, continuar fazendo filmes até morrer - é a única coisa que sei fazer na vida. Quero morrer vendo uma porção de gente rindo em volta de mim. Observações do Museu Mazzaropi (1) Após realizar seu último filme pela Cinedistri, Chico Fumaça, de 1956, Mazzaropi já era famoso no cinema nacional e resolveu que estava na hora de investir em si mesmo. Isso porque via as grandes filas no cinema e eram, geralmente, os donos das produtoras que sempre ganhavam muito dinheiro. O sucesso de Chico Fumaça fez com que Mazzaropi comentasse com sua mãe, Dona Clara, que o proprietário da companhia Cinedistri, sr. Massaini, ganhara muito dinheiro com o sucesso dos filmes em que ele participara e pediu para que ela o apoiasse num investimento que pretendia fazer. Ele queria produzir um filme, mas para levar seu projeto adiante não hesitou em se desfazer dos seus bens: dois carros Chevrolet americanos, terrenos, economias bancárias e perguntou ao seu filho de criação, Péricles Moreira, se fosse necessário, se ele não se importaria em trocar o colégio particular por um colégio estadual. Mazzaropi ficou apenas com o terreno do Itaim Bibi. Em 1958, consegue produzir seu primeiro filme, Chofer de Praça. Não foi fácil, no início teve que alugar os estúdios da Cia Vera Cruz para as gravações internas e as filmagens externas foram rodadas na cidade de São Paulo com os equipamentos alugados da Vera Cruz. Estava inaugurada a PAM Filmes - Produções Amácio Mazzaropi. (2) Na verdade, em setembro de 1950, Mazzaropi, com 38 anos, estreava na TV Tupi de São Paulo o mesmo show que tinha sido sucesso durante muito tempo na Rádio Tupi: Rancho Alegre - o programa era ao vivo, todas as quartas, às 21 horas. Quatro meses depois, janeiro de 1951, Mazzaropi é convidado para a inauguração da TV Tupi no Rio de Janeiro. No alto do Pão de Açúcar, onde se achava instalada a torre transmissora, acontece a grande festa com a presença do Presidente, General Eurico Gaspar Dutra. A apresentação do show inaugural coube a Luis Jatobá, primeiro locutor da Tupi carioca. Mazzaropi também passou pela TV Excelsior fazendo parte de um programa de sucesso na época, apresentado por Bibi Ferreira, Brasil 63.

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Grandes Nomes-Mazzaropi  (GRANDES NOMES) escrito em terça 18 novembro 2008 03:58

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Mazzaropi quadro a quadro Profa. Olga Rodrigues Nunes de Souza A FAMÍLIA 1890: João José Ferreira e Maria Pitta Ferreira nascidos em Ponta do Sol, Portugal, chegam à Taubaté e vão morar numa chácara de onde tiram seu sustento cultivando hortaliças. Ali nascem Clara (12 de agosto de 1892) e seus seis irmãos. Nos 1900, os Mazzaropi chegam ao Brasil: Amázzio e Ana e seus filhos Domingos e Bernardo. Nascidos em Nápoles, Itália, começam a trabalhar na agricultura em Dourados-SP e depois no Paraná. 1910: Clara Ferreira e Bernardo Mazzaropi já casados, moram em São Paulo, no bairro de Santa Cecília. Ela, empregada doméstica, e ele, motorista de automóvel de aluguel. 1912: na pequena casa, nasce Amácio Mazzaropi, no dia 9 de abril. MEU AVÔ ARTISTA 1914: a falta de dinheiro e o espírito inquieto do pai, levam a família Mazzaropi de volta para Taubaté, onde Bernardo vai trabalhar como operário têxtil na Companhia Taubaté Industrial - CTI. 1916: Clara torna-se tecelã da CTI e o pequeno Amácio fica uma temporada na casa dos avós maternos na cidade de Tremembé-SP. João José Ferreira, o avô português, exímio tocador de viola, bom dançarino de cana-verde e animador famoso das festas do bairro rural, leva sempre com ele os netos Amácio e Vitório Lazzarini. 1918: é inaugurada a Estação da Central do Brasil em Tremembé e o avô se apresenta com sua violinha. Amácio, aos 6 anos de idade, assiste embevecido. 1919: Bernardo não suporta a monotonia do trabalho na fábrica e decide voltar com a família para São Paulo. Mazzaropi ingressa no Grupo Escolar do Largo de São José do Belém. Bom aluno, tinha incrível facilidade para decorar poesias e logo vira o centro das atenções nas festas da escola como declamador-mor. O SONHO DO CIRCO 1922: com a morte do avô e a dureza de sempre, os Mazzaropi voltam mais uma vez para Taubaté. Clara e Bernardo retomam o trabalho na CTI e abrem um botequim na residência da rua América, onde a família se reveza no atendimento aos fregueses. Amácio é matriculado no Ginásio Washington Luís. Em casa, estuda e decora textos do livro Lira Teatral. No monólogo Chico, imita um tipo caipira que agrada em cheio numa festa da escola. Freqüenta os circos que passam pela cidade e não esconde sua vontade de se tornar ator circense. Os pais, contrários à idéia, o mandam para a casa do tio Domingos Mazzaropi, em Curitiba. O objetivo é distanciá-lo da “perdição” dos palcos dos circos. Trabalha como caixeiro da loja de casimira da família, na rua XV de Novembro. O AJUDANTE DO FAQUIR 1926: aos 14 anos, retorna à São Paulo com o mesmo sonho de atuar no circo. Conhece o famoso Ferry, faquir do Circo La Paz, e, para desespero dos pais, começa a viajar com eles. Nos intervalos das exibições do faquir, Amácio conta piadas e ganha por isso, um mirrado salário. Ferry consegue para ele um documento que transforma seus 14 em 19 anos. Agora ele podia contar as piadas picantes que o povo gostava. 1929: sem dinheiro, deixa o circo e volta para a casa dos pais em Taubaté. Torna-se tecelão da Companhia Taubaté Industrial, com um salário diário de 4.720 réis. 1931: de novo a fazer teatro, agora como ator e diretor no salão do Externato Sagrado Coração de Maria, do Convento de Santa Clara, em Taubaté. 1932: eclode a Revolução Constitucionalista. Em Taubaté, o Movimento de Arrecadação de Fundos para Donativos aos Soldados da Lei organiza, em conjunto com a Rádio Record de São Paulo, espetáculos com os maestros Martinez Grau, Fêgo Camargo, o folclorista Capitão Cornélio Pires e outros, num projeto denominado Theatro do Soldado. O ARTISTA PERSISTE A efervescência cultural de 32 anima Mazzaropi e ele estréia na Troupe Carrara, no cine Theatro Polytheama, em Taubaté, no papel de Eugênio Carvalho, na comédia HERANÇA DO PADRE JOÃO, de Baptista Machado. 1934: em 18 de março, estréia no cine Tremembé a Troupe Olga Crutt, uma das mais famosas, experientes e aplaudidas do interior do país. Mazzaropi ingressa na companhia. Em 30 de março, Olga Crutt troca seu nome artístico para Olga Mazzaropi. Em novembro, Amácio Mazzaropi se torna líder da nova companhia “Troupe Mazzaropi”. 1935: Amácio convence a família a seguir com a Troupe. Os pais, persuadidos, viram atores e ajudam na administração. Depois de uma turnê bem sucedida, resolvem montar um Pavilhão - um barracão de tábuas corridas, coberto de lona, com cadeiras e bancos de madeira para a platéia, o chamado Teatro de Emergência. Logo na estréia, em Jundiaí-SP, uma tempestade acaba com a apresentação. Caíram as paredes, e junto, quase vai o sonho. Só três dias depois do vendaval acontece a inauguração e o sucesso reanima as esperanças. 1935/1942: a Troupe Companhia Amácio Mazzaropi viaja pelo interior do Estado e as apresentações são largamente concorridas, mas falta dinheiro para melhorar a companhia. O PAVILHÃO DOS SONHOS 1943: em fins de novembro, Amácio com 31 anos, recebe uma herança da avó Maria Pitta e realiza o sonho de colocar uma cobertura de zinco em seu pavilhão para, assim, poder estrear na capital. O Jornal de São Paulo publica a crítica de Francisco Sá “O que vai pelo teatro”, onde elogia a atuação do jovem Amácio. Terminada a temporada paulistana, o grupo viaja pelo Vale do Paraíba. 1944: o Pavilhão Mazzaropi reestréia em Pindamonhangaba e os soldados da FEB, aquartelados na região, têm cadeira cativa nos espetáculos. Bernardo adoece e as despesas com seu tratamento complicam as finanças da companhia. Mazzaropi é convidado para substituir Oscarito numa peça em cartaz no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Oscarito, então o ator mais famoso do país, muda de idéia e Mazzaropi, sem dinheiro e decepcionado, volta para Pindamonhangaba e dissolve a companhia. Desmonta o teatro e o deixa no Pátio da Estação Ferroviária. Em 29 de setembro, estréia em Taubaté a companhia do consagrado ator Nino Nello. Em Pindamonhangaba, no Basquete Clube Sociedade Esportiva Recreativa, estréia Mazzaropi. Os artistas se conhecem e resolvem fundir suas companhias. Em 8 de novembro, morre Bernardo Mazzaropi, aos 56 anos . A ESTRÉIA NO TEATRO EM SÃO PAULO Quatro dias depois da morte do pai, Amácio estréia ao lado de Nino Nello no Teatro Oberdã, em São Paulo. Mazzaropi é ator e diretor na peça FILHO DE SAPATEIRO, SAPATEIRO DEVE SER. A temporada recebe sucesso de público e crítica. 1945: no início do ano, Amácio retorna a Pindamonhangaba com a idéia de recuperar o pavilhão e trazê-lo para São Paulo, mas fica na cidade e recomeça as apresentações. Com vários contratempos e sem dinheiro, pede a um amigo oito mil cruzeiros emprestados. Em pouco tempo, consegue pagar a dívida e segue para São Paulo. O pavilhão é instalado no bairro de Santana e a casa vive cheia. Passa a morar no Tucuruvi, de onde virá o apelido “Bernard Shaw do Tucuruvi” numa alusão cômica ao famoso ator inglês. Com o sucesso do pavilhão, Mazzaropi assina contrato com o Teatro Colombo, onde atua por mais de um ano. NA RÁDIO, O RANCHO ALEGRE 1946: em março, Mazzaropi é convidado por Demerval Costa Lima, diretor da Rádio Tupi de São Paulo, para fazer o programa Rancho Alegre. Com salário mensal de 700 cruzeiros, assina contrato de 3 meses. O programa é ao vivo todos os domingos às 19h45, no auditório da rádio, no Sumaré. A produção é de Cassiano Gabus Mendes e logo alcança grande audiência. Na primeira semana, Mazzaropi recebe cerca de 2.000 cartas de fãs. O programa era simples, Mazzaropi contava umas piadas e, acompanhado de um sanfoneiro, cantava uma canção. 1947: Mazzaropi vira tema de um concurso promovido pela rádio: “Qual o verdadeiro nome de Mazzaropi?”. Os jornais publicam a pergunta em cupons. A apuração é feita no cine São Francisco, no dia 12 de outubro e, em meio à uma grande festa para a entrega dos prêmios, os ganhadores assistem a apresentação do homenageado. As Emissoras Associadas criam o show Brigada da Alegria, com Mazzaropi, Linda Batista, Henricão e Rosa Maria (o “Barão das Cabrochas” e a “Cabrochinha do Samba”), Michel Allard, Hebe Camargo (“A Morena do Sumaré”), e excursionam por vários estados. Em Minas Gerais, Mazzaropi e Hebe fazem sucesso nas rádios Associada de Minas, Guarani e Mineira. Os espetáculos pelo país vão criando um público fiel que o acompanhará durante muitos anos. Em São Paulo, também é notável seu sucesso. Entrevistas, concursos, convites para shows de caridade, audições em clubes, boates, rádio e teatros pelo interior do estado. No fim do ano, assina contrato com a Companhia Dercy Gonçalves e atua ao lado da famosa atriz, na super revista SABE LÁ O QUE É ISSO?, de Jorge Murad, Paulo Orlando e Humberto Cunha, no Cine Theatro Odeon. O ator Mazzaropi, aos 36 anos, tem grande prestígio no teatro e na rádio com os programas na Tupi do Rio de Janeiro e Baré de Manaus. A PRIMEIRA RISADA NA TV. E COM PATROCÍNIO 1950: em 18 de setembro, é inaugurada a primeira emissora de televisão brasileira, a TV Difusora de São Paulo, canal 3. Convidado para o show de estréia, Mazzaropi torna-se o primeiro humorista na TV. Inicialmente, à semelhança da rádio, apresenta-se sozinho, mas em poucos dias, a direção resolve lançar o programa RANCHO ALEGRE com Amácio e a atriz Geny Prado. Toda 4ª feira, às 21h00, sob a direção de Cassiano Gabus Mendes e patrocínio da Philco, o primeiro patrocinador da TV brasileira. 1951: em 20 de janeiro, Mazzaropi é enviado para o programa inaugural da TV Tupi do Rio, “o maior caipira do rádio brasileiro”. Mazzaropi agrada. Sucesso estrondoso. Passa a apresentar um quadro na TV Rio toda quinta, à noite. Mazzaropi trabalha na Rádio e TV Tupi de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de shows em teatros. O CINEMA 1951: os diretores Abílio Pereira de Almeida e Tom Payne estavam no Nick Bar, em São Paulo, quando viram Mazzaropi na TV. Resolvem chamá-lo para um teste na Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Entre muitos candidatos, Mazzaropi é escolhido e contratado por 15 contos mensais, mais gratificação anual de 60 contos, para filmar SAI DA FRENTE. Mazzaropi está com 39 anos. 1952: o filme é lançado no dia 15 de junho em 12 cinemas de São Paulo. A estréia no cinema projeta sua carreira artística. E na esteira do êxito, as Emissoras Associadas lançam o “Bernard Shaw do Tucuruvi”, na novela sertaneja O MEU MUNDO É AQUELE RANCHO, escrito pelo radialista Teixeira Filho. Famoso, sua vida passa a ser contada em capítulos no jornal A Hora. Essas promoções e o sucesso de SAI DA FRENTE, fazem a Companhia Vera Cruz acelerar a produção de um novo filme com Mazzaropi: NADANDO EM DINHEIRO. Em 27 de outubro, estréia em 36 cinemas de São Paulo. 1953: Mazzaropi faz outro filme: CANDINHO. A Companhia Vera Cruz já demonstra os primeiros sinais de problemas financeiros e atrasa a edição do filme. 1954: o lançamento só acontece em 25 de janeiro, no Cine Ipiranga e circuito de 25 salas. A obra é uma adaptação de CANDIDE, de Voltaire. A Vera Cruz não vai nada bem, mas mesmo assim, Mazzaropi é um dos oito atores que a Companhia mantém contratado. Enquanto a Vera Cruz afunda na crise financeira, ele se preocupa com o futuro no rádio e, para surpresa geral, anuncia sua saída das Emissoras Associadas indo para a Rádio Nacional de São Paulo. O novo programa é transmitido aos sábados, às 21h30, com Mazzaropi em visitas aos clubes da cidade, onde conta piadas, canta e faz imitações. Fica no ar de 1953 a 1955. 1955: filma A CARROCINHA, numa produção da Fama Filmes e Produções Jaime Prades que, logo depois, de volta à Espanha, produz o clássico EL CID. 1956: faz seu 5º filme, O GATO DE MADAME, pela Brasil Filmes. Lançado no mesmo ano, o filme marca a estréia de Odete Lara no cinema. Mazzaropi assina contrato com os irmãos Eurides e Eudes Ramos, da Cinelândia Filmes, do Rio de Janeiro, e Oswaldo Massaini, da Cinedistri, de São Paulo. Faz os filmes O FUZILEIRO DO AMOR e O NOIVO DA GIRAFA, o primeiro lançado em 1956 e o outro no ano seguinte. 1958: seu 8º filme, CHICO FUMAÇA, é produzido pela Cinedistri. SURGE A PAM FILMES Pronto o filme, Mazzaropi acha que chegou o momento de arriscar alto, era tudo ou nada, e resolve criar sua própria produtora, a Produções Amácio Mazzaropi (P.A.M. FILMES). Com recursos próprios, inicia as filmagens de CHOFER DE PRAÇA. Para produzir o filme, Mazzaropi vende a casa, carro e tudo que podia para alugar os estúdios e equipamentos da Companhia Vera Cruz. Além de produzir, Mazzaropi passa a cuidar do lançamento e distribuição de seus filmes por todo o Brasil controlando na bilheteria o resultado dos filmes. Estava com 46 anos. 1959: em cartaz, CHICO FUMAÇA e CHOFER DE PRAÇA. Mazzaropi aceita o convite de José Bonifácio de Oliveira, o Boni, na época da TV Excelsior de São Paulo, para fazer um programa de variedades que ficará no ar até 1962. No programa, além de contar piadas e cantar, recebia convidados. No final do ano, filma JECA TATU. 1960: o filme chega aos cinemas em 25 de janeiro de 1960. Mazzaropi inicia as filmagens de seu 11º filme AS AVENTURAS DE PEDRO MALASARTES, obra que marca sua estréia na direção. O filme foi lançado em 5 de outubro. Num ritmo frenético, Mazzaropi inicia um novo filme. 1961: ZÉ DO PERIQUITO é lançado em 1 de maio. A FAZENDA SANTA Ainda em 61, Mazzaropi adquire os 184 alqueires da Fazenda da Santa e inicia a construção do primeiro estúdio. Realiza TRISTEZA DO JECA, o primeiro filme colorido, em Eastmancolor, com revelação e trucagem feitas na cidade do México. Lançado em setembro, o filme é um sucesso e motivo de orgulho para Mazzaropi. Pela primeira vez, um filme seu era exibido na TV, no Festival de Cinema Brasileiro da TV Excelsior, em outubro. Ainda naquele ano, roda seu 14º filme: O VENDEDOR DE LINGÜIÇA. 1962: o filme estréia em 30 de abril. Este foi um ano promissor para Amácio Mazzaropi. Produz A CASINHA PEQUENINA, completa 50 anos e é convidado para o programa BRASIL 62, de Bibi Ferreira, na TV Excelsior, de São Paulo. TRISTEZA DO JECA é contemplado duplamente com o prêmio Cidade de São Paulo: melhor ator coadjuvante para Genésio Arruda e melhor música para Hector Lagna Fietta. No final do ano, o cineasta arremata em leilão a metade dos equipamentos da Vera Cruz. 1963: A CASINHA PEQUENINA, filme colorido, é considerado pela crítica como um épico. Lançado em 21 de janeiro, marca a estréia de Tarcísio Meira e Luis Gustavo no cinema. Com a ajuda de Agostinho Martins Pereira, Mazzaropi importa equipamentos de som direto. Produz O LAMPARINA totalmente rodado na Fazenda (da) Santa. 1964: o filme é lançado em 20 de janeiro, em 23 cinemas da capital. Realiza MEU JAPÃO BRASILEIRO. 1965: lança o filme e começa a produzir O PURITANO DA RUA AUGUSTA, em homenagem à famosa rua da cidade de São Paulo. 1966: lança o filme e produz O CORINTHIANO. É homenageado no 3º Festival do Cinema Brasileiro de Teresópolis. Recebe também o Troféu da Simpatia Popular no Programa Silvio Santos. 1967: Estréia O CORINTHIANO, em 23 de janeiro, com a presença da torcida organizada Os Gaviões da Fiel. Produz o 20º filme da sua carreira, O JECA E A FREIRA. Mazzaropi recebe o troféu de Campeão de Bilheteria no 4º Festival de Teresópolis. 1968: em 17 de janeiro, recebe e manda emoldurar, o bilhete de Austragésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras, sobre o recém-lançado O JECA E A FREIRA: “…Mazzaropi alcançou, no cinema, o mais alto nível de sua arte. É hoje, sem nenhum favor, um artista de categoria mundial.” Produz NO PARAÍSO DAS SOLTEIRONAS. 1969: o filme chega aos cinemas em 23 de janeiro e rende, até 19 de fevereiro de 1970, 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros. Produz e lança no mesmo ano UMA PISTOLA PARA DJECA. É um dos grandes sucessos de bilheteria no País. Mazzaropi recebe do Instituto Nacional de Cinema (INC), o prêmio de Cr$ 186.168,43 - correspondente a 5% da renda do filme. 1970: realiza sua obra autobiográfica, BETÃO RONCA FERRO. 1971: lança o filme em 23 de janeiro e produz O GRANDE XERIFE. Quase simultaneamente, roda UM CAIPIRA EM BARILOCHE, sua 25ª obra cinematográfica. 1972: lança, em 22 de janeiro, O GRANDE XERIFE. Encontra-se em 18 de outubro, com o Presidente da República Emílio Garrastazu Médici, no Palácio da Alvorada, em Brasília. Na ocasião, Mazzaropi solicita maior apoio ao cinema brasileiro. 1973: lança UM CAIPIRA EM BARILOCHE sua primeira película rodada no exterior. Roda PORTUGAL, MINHA SAUDADE, no Brasil e em Portugal. 1974: lança o filme em 21 de janeiro. Sobre UM CAIPIRA EM BARILOCHE, o respeitado crítico e intelectual Paulo Emílio Salles Gomes faz uma análise séria e sem paixão assegurando que, na verdade, “ele atinge o fundo arcaico da sociedade brasileira e de cada um de nós”. Mazzaropi se incorpora ao universo da cultura popular brasileira. Ainda nesse ano filma O JECA MACUMBEIRO que entra em cartaz no ano seguinte. UMA INDÚSTRIA DE CINEMA 1975: produz JECA CONTRA O CAPETA (28º). O ano marca o início das construções do novo estúdio localizado no Bairro dos Remédios, em Taubaté, numa área de 160 mil m², com 20 apartamentos luxuosos, restaurantes, estúdio de 1.000 m², piscina, lago, alojamentos para equipe técnica e artistas, reserva técnica, oficina de cenários, carpintaria e outras instalações. O novo local leva o nome Hotel Studio PAM Filmes. JECA CONTRA O CAPETA é produzido simultaneamente nos dois estúdios. 1976: lança o filme em 1 de março. 1977: produz JECÃO…UM FOFOQUEIRO NO CÉU (29º) e o lança em junho. Em 17 de fevereiro, Mazzaropi se encontra com o Presidente Ernesto Geisel, em Taubaté. Foi um encontro rápido e falaram só de cinema. Filma O JECA E SEU FILHO PRETO (30º). 1978: lançamento do filme. Conforme Rubens Biáfora, o filme enfoca “o problema racial entre nós, segundo a ótica de Mazzaropi, mas talvez não com a coerência ou a obediência à moral convencional, que lhes deveriam ser inerentes e indispensáveis”. Em 7 de setembro, Mazzaropi é recebido, em Taubaté, pelo Presidente General João Baptista Figueiredo e o encontro se resumiu em um abraço num palanque e aplausos para o ator. Roda A BANDA DAS VELHAS VIRGENS (31º). 1979: lança o filme e já bastante debilitado pela doença, faz O JECA E A ÉGUA MILAGROSA, seu 32º e último filme. 1980: depois do lançamento do filme, começa a produção de MARIA TOMBA HOMEM, obra jamais realizada. 1981: Amácio Mazzaropi morre aos 69 anos, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no dia 13 de junho; causa mortis, septicemia. No mesmo dia é sepultado em Pindamonhangaba-SP, no Cemitério Municipal da Cidade, onde seu pai Bernardo Mazzaropi já estava enterrado. 1983: Clara Ferreira Mazzaropi morre em 12 de março, aos 91 anos, no Hospital Albert Einstein de São Paulo; causa mortis, broncopneumonia. Está enterrada também em Pindamonhangaba, junto ao marido e o filho. 1991: é criado o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da Universidade de Taubaté que inicia o trabalho de recuperação da história de Amácio Mazzaropi. 1992: a Universidade de Taubaté e o Hotel Fazenda Mazzaropi assinam um acordo de comodato. O CDPH e o Museu do Homem Caipira são transferidos para uma área cedida pelo Hotel. Os acervos sobre Mazzaropi da Universidade e do Hotel são expostos ao público e a pesquisa é intensificada. 1993: é instituído pela Câmara Municipal de Taubaté, por iniciativa do vereador Roberto Peixoto, o Dia Mazzaropi. 1994: é realizada a exposição “Mazzaropi. A imagem de um caipira” no SESC Interlagos, São Paulo, numa realização conjunta da Universidade de Taubaté, Hotel Fazenda Mazzaropi e SESC. O evento é visitado por mais de 200 mil pessoas. Paralelo ao evento, é publicado o catálogo “Mazzaropi. A imagem de um caipira”. Encerrado o comodato entre a UNITAU e o Hotel Fazenda Mazzaropi, o CDPH continua suas pesquisas sobre o cineasta e o Hotel inaugura o Museu Mazzaropi dando início a uma série de ações que visam recuperar e divulgar a memória do ator. 1996: o Museu passa a promover, sempre em abril, a Semana Mazzaropi. 1998: é feito um convênio de cooperação cultural entre a Universidade de Taubaté e Hotel Fazenda Mazzaropi. 2000: o Museu Mazzaropi, em parceria com a Votorantim, começa a restauração da Fazenda Santa onde Mazzaropi montou seu primeiro estúdio de cinema. (*) A autora é Coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da Universidade de Taubaté, membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV) e membro do Conselho Municipal de Turismo, Patrimônio, de São Luiz do Paraitinga (COMTUR).


fonte:

Este texto foi originalmente publicado no Jornal do Mazza para a Semana Mazzaropi de abril de 2000. Jornal do Mazza é uma publicação do Museu Mazzaropi entidade mantida pelo Instituto Mazzaropi – Taubaté, SP. Edição: Claudio Antonio Marques Luiz. Pesquisa e texto: Profa. Olga Rodrigues Nunes de Souza. Jornalista responsável: Rosimeire Aparecida dos Reis MTB 026765. Fotos: acervo do Museu Mazzaropi, CDPH/Universidade de Taubaté e da autora.

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