
Fernando Pessoa 13/06/1888, Lisboa
(Portugal) 30/11/1935, Lisboa (Portugal) Do Stockler Vestibulares*
Folha Imagem Folha Imagem Pessoa foi correspondente estrangeiro em
casas comerciais em Lisboa Fernando Antônio Nogueira Pessoa
nasceu em 13 de junho de 1888 em Lisboa. Em 1893 morre seu pai e em
1894, seu irmão, Jorge. No ano seguinte, sua mãe
casa-se com João Miguel Rosa, cônsul português
em Durban, na África do Sul. Em 1896, a família parte
para Durban onde Fernando Pessoa estuda e aprende o inglês.
Em 1905, ele regressa definitivamente a Lisboa, com
intenção de se inscrever no Curso Superior de Letras.
Lê Shakespeare, Wordsworth e filósofos gregos e
alemães. Toma contato com a poesia francesa, especialmente a
de Baudelaire e lê os poetas portugueses Cesário Verde
e Camilo Pessanha. Em 1907, abandona o curso superior e monta uma
tipografia que mal chega a funcionar. No ano seguinte,
começa a trabalhar como correspondente estrangeiro em casas
comerciais, profissão que exerceu até a morte. Pessoa
escolhe uma vida discreta, mas livre, sem obrigações
fixas, nem horários. Em 1912, Pessoa inicia sua
colaboração na revista A Águia. Inicia
correspondência com Mário de Sá-Carneiro que,
de Paris, manda a Pessoa notícias do Cubismo e do Futurismo.
Pessoa escreve, em inglês, o poema Epithalamiun e, em
português, o drama O Marinheiro. Vai elaborando o projeto de
vários livros e traz um novo movimento: o Paulismo, tudo
isso no ano de 1913. No ano seguinte, publica Paúis, sob o
título de Impressões do Crepúsculo e aparecem
os heterônimos*: Alberto Caeiro e seus discípulos
Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Fernando Pessoa
compõe Ode Triunfal, encaminhando-se para o Sensacionismo e
para o Futurismo, sob o heterônimo de Álvaro de
Campos. Compõe ainda Chuva Oblíqua (poesia
ortonímica), delineando o Interseccionismo. Em 1915, surge a
revista Orpheu, marco do Modernismo em Portugal. O primeiro
número, dirigido por Luís Montalvor e Ronald de
Carvalho, publica os poemas Ode Triunfal e Opiário
(Álvaro de Campos) e O Marinheiro (Fernando Pessoa). No
segundo número, saem Chuva Oblíqua e Ode
Marítima. No mesmo ano, Fernando Pessoa inicia-se no
esoterismo, traduzindo um Tratado de Teosofia. Em 1919, escreve
Poemas Inconjuntos, assinados por Alberto Caeiro, apesar deste ter
morrido em 1915. Em 1920, Pessoa passa a morar com sua mãe,
que regressara, viúva, da África do Sul. Ela falece
em 1925. Cinco anos depois, Pessoa escreve mais poemas, assinados
por seus heterônimos. Em 1934, publica Mensagem, livro de
poemas de cunho místico-nacionalista, única obra em
português publicada em vida. Em 1935, no dia 30 de novembro,
no Hospital São Luís, em Lisboa, morre Fernando
Pessoa. *Os heterônimos (diz-se de autor que publica um livro
sob o nome verdadeiro de outra pessoa) Os principais
heterônimos de Fernando Pessoa são: 1- Alberto Caeiro,
nascido em Lisboa em 16 de abril de 1889 - o mais objetivo dos
heterônimos. Busca o objetivismo absoluto, eliminando todos
os vestígios da subjetividade. É o poeta que se volta
para a fruição direta da Natureza; busca "as
sensações das coisas tais como são".
Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à
abstração, à especulação
metafísica e ao misticismo. Neste sentido, é o
antípoda de Fernando Pessoa "ele-mesmo", é a
negação do mistério, do oculto. Coerente com a
posição materialista, antiintelectualista, adota uma
linguagem simples, direta, com a naturalidade de um discurso oral.
Os versos simples e diretos, próximos do livre andamento da
prosa, privilegiam o nominalismo, a "sensação das
coisas tais como são". É o menos "culto" dos
heterônimos, o que menos conhece a Gramática e a
Literatura. Mas, sob a aparência exterior de uma
justaposição arbitrária e negligente de versos
livres, há uma organização rítmica
cuidada e coerente. Caeiro é o abstrador paradoxalmente
inimigo de abstrações; daí a secura e pobreza
lexical de seu estilo. 2- Ricardo Reis, nascido no Porto em 19 de
setembro de 1887 - representa a vertente clássica ou
neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua
linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são,
geralmente, curtos, tendendo à vernaculidade e ao
formalismo. Tem consciência da fugacidade do tempo;
apóia-se na mitologia greco-romana; apresenta-nos uma musa
(Lídia) e, filosoficamente, é adepto do estoicismo e
do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio,
harmonia) para que se possa aproveitar a vida, mas sem exageros,
sossegadamente, porque a morte está à espreita.
Médico que se mudou para o Brasil. 3- Álvaro de
Campos, nascido no Porto em 19 de setembro de 1887 - é o
lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de
conquista, por um amor à civilização e ao
progresso, por uma linguagem de tom irreverente. Essa modernidade
tem ligações claras com o cosmopolita Cesário
Verde, com Walt Whitman e com o Futurismo. Sentindo e
intelectualizando suas sensações (sentir e pensar),
Campos percebe a impossibilidade de não pensar, observa
criticamente o mundo e a si próprio, angustiando-se diante
do tempo inexorável e do absurdo da vida. Apresenta-se como
o engenheiro inativo, inadaptado, inconciliado, com
consciência
crítica.
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