Estreou aos 17 anos, no Teatro da Paz, em Belém, no musical 'Tem muita goma no meu Tacacá', tendo como parceiro de cena Cacá Carvalho. Depois, sua estréia nacional se deu com a participação na trilha sonora da novela Gabriela, da Rede Globo.
Participou ativamente do movimento pela redemocratização dos país na década de 80, primeiro apoiando Teotönio Vilela, passando pela Campanha das "Diretas Já", onde tornou-se a musa, e depois na luta pela eleição de Tancredo Neves. Isto prova que Fafá sempre esteve ligada à música e à política: . "... Em casa, o pau comia na política e esfriava com a música. Cresci cantando..."
Nunca foi casada de papel passado, mas de um relacionamento com o músico Raul Mascarenhas, nasceu sua única filha, Mariana, hoje já adulta. Mora em São Paulo, não gosta de badalações e raramente é vista pelos bares e festas. Fafá sempre preserva ao máximo sua privacidade: "Estou acompanhada, bem e feliz. Não faço mistério, somente não gosto de me expor", despista a cantora, que há poucos meses perdeu um bebê no início da gravidez. Ela pretende engravidar novamente no próximo ano. "Uma criança sempre é vida. Jamais desisto da vida."
Suas marcas registradas são sua sonora gargalhada e o decote. Justamente por isto, "Fafá" sempre foi sinônimo de mulher com busto grande, um símbolo sexual. Também já foi sinônimo de fusca! Não qualquer fusca, mas aquele que tinha as lanternas traseiras bem avantajadas!
Seu primeiro sucesso foi com a música "Filho da Bahia" em 1975. No ano seguinte ela lançou seu primeiro LP, Tamba-Tajá, que logo emplacou o carimbó "Este Rio é Minha Rua". Na época, a repercussão foi tão boa que até o temido José Ramos Tinhorão, crítico de MPB do Jornal do Brasil, se derramou em elogios à jovem cantora: "destinada a figurar no primeiro time da atual geração de grandes intérpretes brasileiros". As previsões se confirmaram no álbum seguinte, Água (1977), que atingiu quase 100 mil cópias.
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Fafá gravou de tudo, sem se preocupar com rótulos. Rock, boleros, ritmos caribenhos, guarânias, afoxé, lambadas, sambas-canções, sertanejos, forró, marcha-rancho, sempre preocupada em abrir espaço para a música regional e pérolas do cancioneiro popular, como "Que Queres Tú De Mim", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, ou ainda "Você Vai Gostar (Casinha Branca)", de Elpídio dos Santos.
Na década de 80, Fafá foi definitivamente alçada ao primeiro time das cantoras românticas brasileiras por conta de suas interpretações sempre intensas e apaixonadas. Como oela costuma dizer, se a música não a deixa arrepiada, Fafá não grava. Nessa época, várias músicas suas deixaram muita gente arrepiada, como "Bilhete" de Ivan Lins e Vitor Martins, ou "Memórias" de Leonardo, responsável pela venda de meio milhão de cópias (Platina Duplo) do álbum "Atrevida".
Mas não foi só às custas de romantismo que Fafá fez tanto sucesso. O fervilhante momento político culminou em dois momentos distintos, mas de igual emoção que marcaram sua carreira: a canção "Menestrel das Alagoas", em homenagem ao senador Teotônio Vilela, e a regravação do Hino Nacional, que lhe trouxe problemas com a Justiça. Fafá, a "musa das Diretas", cantou esta nova e emocionante versão do nosso Hino para mais de 1 milhão de pessoas no comício realizado na Candelária.
Em 1986, sua antiga agente, Ana Sabugosa, recebeu um telefonema querendo contratar a Fafá para fazer um show na reabertura do tradicional "Cassino do Estoril", em Portugal. O que seria apenas mais um show, transformou-se no início de uma sólida carreira internacional nas terras lusitanas. Hoje, inclusive, segundo a própria Fafá, devido à falta de espaço na MPB para músicas que não as de 'Axé' e 'Pagode', trabalha muito mais em Portugal do que no próprio Brasil.
Em 1989, Fafá lança o CD que leva seu nome e traz a canção "Núvem de Lágrimas", talvez seu maior sucesso. Com ela, Fafá ganhou diversos prêmios, inclusive o "Troféu Imprensa" de melhor cantora. Neste álbum também foram grandes sucesso as lambadas "Conversa Bonita" e "Chorando Se Foi" e a romântica "Coração Cigano".
O projeto "Meu Fado" foi um marco na história de Fafá. Primeira cantora não portuguesa a gravar um disco inteiramente composto por fados, a música mais tradicional de Portugal, Fafá colheu frutos de um trabalho bem elaborado e criterioso, cujo reconhecimento deu-se, não só entre os "patrícios", mas também entre nós brasileiros.
Em 1994, Fafá de Belém assinou com a Sony Musica e lançou "Cantiga Pra Ninar Meu Namorado", produzido por César Augusto e acompanhada por maestros de primeira linha, fez o mais acústico dos seus trabalhos. Os românticos puderam se deliciar com "Poeira de estrelas", versão para a clássica "Stardust", imortalizada na voz de Nat King Cole. No ano seguinte, o CD "Fafá Ao Vivo" celebraria seus 20 anos de carreira, trazendo vários sucessos e regravações de músicas conhecidas.
Lançado no final de 1996, "Pássaro Sonhador", marcou uma volta da cantora às suas origens nortistas. Há duas toadas de boi, inspiradas pela Festa do Boi que acontece anualmente em Parintins, sendo a mais conhecida a entitulada "Vermelho", além do pout-pourri de músicas da região em ritmo de carimbó. Aliás, "Vermelho" foi adotada pela torcida do Benfica, time tradicional português, como o hino paralelo da equipe. Por isso mesmo, Fafá foi convidade para cantar no Estádio da Luz, para mais de 80 mil pessoas, na comemoração de aniversário do clube. A romântica "Abandonada" também foi um grande sucesso deste lançamento.
Em 1997, reafirma sua fé católica cantando para o Papa João Paulo II num Estádio do Maracanã lotado, durante sua visita ao Rio de Janeiro. A música entoada foi a Ave Maria imortalizada pela voz de Dalva de Oliveira, dando origem a um CD-Single.
Em
"Coração Brasileiro", Fafá, já na
Warner Music, faz uma viagem musical pelo país: canta temas
amazônicos, frevo, axé... e até a
belíssima "Pai" de Fábio Júnior, em homenagem
ao seu pai recém falecido. A música título
fala em coração festeiro, guerreiro sofrido, devoto,
cheio de alegria. É o próprio coração
dessa cantora de voz que pode ser matreira, dengosa, sensual ou
solar e escancarar uma bela gargalhada, voz guerreira que explode
em risos e sons para não ser, como diz, uma "pororoca
represada". Com este disco, e pouco mais de 20 anos de carreira,
Maria de Fátima deixa afinal de ser fafá de
Belém para ser Fafá do Brasil, e por que não
dizer, do mundo!
[TEXTO EXTRAIDO DA
WEB]
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