A paixão de Carmem Miranda
Maria do Carmo Miranda Cunha nasceu em 1909, numa casa de Aldeia, em Portugal. Aos dois anos, veio com a família para o Brasil. Antes de virar cantora, foi balconista de uma loja no Rio.
Com 20 anos, ao gravar "Taí", ficou conhecida e famosa. Nunca mais parou. Elétrica, magnética, ela hipnotizava o público. Foi uma transgressora. Causava reboliço entre os homens e ciúmes entre as mulheres.
Nos anos 30, participou de cinco filmes brasileiros.
Levada para a Broadway, Carmen virou estrela e conquistou a América. Baixinha e atrevida, com a barriguinha de fora, um escândalo para a época, virou "a pequena notável".
Em pouco mais de 15 anos, gravou quase 300 músicas, fez 14 filmes e milhares de shows. Foi talvez a primeira pop star da TV americana.
Carmen namorou muito, casou com o americano David Sebastian, mas, segundo amigos, a grande paixão de sua vida foi esse piloto da FAB, Carlinhos Niemeyer, até então um desconhecido.
"Ele era um sujeito bem apessoado. Muito bem apessoado. Alto, forte, magro, sempre queimado de sol, esportivo. Ele fazia muito sucesso”, diz Edivio Caldas Sanctos, major-brigadeiro da FAB.
Carmen e Carlinhos se conheceram por acaso. Ele, que no final dos anos 50 criou o canal 100, uma espécie de telejornal apresentado nos cinemas antes da projeção dos filmes, tinha ido aos Estados Unidos com um grupo de oito pilotos levar alguns aviões da FAB para reparos. Um dos amigos que estava no grupo, relembra.
"O Carlos Niemeyer conheceu a Carmen no ano de 1945. Quando nós chegamos em Los Angeles, entregamos os aviões na fábrica e no dia seguinte fomos à casa dela, convidados para uma feijoada, um almoço”, relembra Sanctos.
Foi paixão à primeira vista. Viveram um romance explosivo durante um mês. Com a volta de Carlinhos ao Brasil, se corresponderam durante cinco meses.
A intimidade amorosa dos dois transpira em termos que ela criava nas cartas. Quando se referia a si mesma, Carmen se auto-denominava rollinha.
Ela escrevia num estilo e num jeito muito pessoal. As vezes não era direta, não falava eu e você. Usava a terceira pessoa.
Para preservar a privacidade, no lugar de remetente nos envelopes das cartas nunca colocava o próprio nome. Criou um pseudônimo: Shirley Nemrac. O sobrenome, Nemrac, é Carmen de trás pra frente.
Com tanta intimidade revelada, ela tinha uma preocupação mostrada nesse pequeno recadinho: “meu amorzinho, cuidado com essas cartas, lê bastante e depois destrói”.
Sexta-feira passada, fez 50 anos que Carmen Miranda morreu. Ela tinha apenas 46 anos de idade. Carlinhos Niemeyer morreu em dezembro de 1999, aos 79 anos.
Depois da paixão vivida em 1945, nunca mais se viram. Mas assim como o mito e a magia da pequena notável continuam vivos, também vai ficar para sempre a intimidade dos dois, revelada pela primeira vez nessas cartas, a que o Fantástico teve acesso com exclusividade.
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