Espetáculo pão com mortadela  (NO PALCO) escrito em quinta 20 março 2008 21:17

teatro

E o espetáculo PÃO COM MORTADELA - Indicado ao Prêmio Shell de Melhor Direção - volta em cartaz no dia 21 de março de 2008, na Casa da Gávea (Pça Santos Dumont 116/sobrado, Gávea) - 6as e sábs às 21h, dom às 20h. Texto: Charles Bukowski Direção: João Fonseca. Adaptação: João Fonseca e Sacha Bali. Elenco: Aline Fanju, Gustavo Nunes, Lívia de Bueno, Jorge Lucas, Rosanna Viegas e Sacha Bali. Jefferson Lessa, O GLOBO: LINDA VITÓRIA DA PAIXÃO SOBRE A MEDIOCRIDADE Quando morreu, em 1994, aos 74 anos, Henry Charles Bukowski Junior era conhecido pela singela alcunha de Velho Safado (Nasty Old Man). O apelido, acreditem, não poderia ser mais carinhoso. Bukowski havia conquistado o direito de ser chamado assim por conta das muitas décadas de bebedeiras, sexo a torto e a direito e empreguinhos desgraçados – enfim, as chamadas agruras da vida – que moldaram seu caráter, sua imagem e, claro, sua prosa. DIREÇÃO DE JOÃO FONSECA É APAIXONADA E CRIATIVA Em 1982, ele escreveu “Ham on Rye”, em que narra, através de seu alter ego, Henry (“Hank) Chinaski, suas infância e adolescência terríveis. Detalhe: Bukowski declarou que este foi seu livro mais difícil. Aqui, “Ham on Rye” virou a peça “Pão com Mortadela”, em cartaz só até domingo na sala Multiuso do Espaço Sesc, em Copacabana. Para começar, é muito boa a idéia de transformar “Misto Quente” em ”Pão com Mortadela”. Tem mais a ver com o universo retratado no palco. A idéia partiu do diretor João Fonseca, que adaptou o texto com o ator Sacha Bali, estrela do espetáculo. (sim, “Pão com Mortadela” pode e deve ser chamado de espetáculo). Apenas seis atores (Aline Fanju, Gustavo Nunes, Jorge Lucas, Lívia de Bueno, Rosanna Viegas e, claro, Sacha Bali) interpretam vários personagens da vida de Henry Chinaski. Seria injustiça destacar este ou aquele, pois todos estão ótimos. Mas vale a pena destacar a direção criativa – e nitidamente apaixonada – de João Fonseca, que cria quadros com pouquíssimos elementos. O cenário lindo de Natália lana se resume a alguns móveis, garrafas que pendem sobre o aplco e painéis com trechos do texto escritos à mão. Além de lindo, prático e inteligente, é valorizado epla iluminação de Luis Paulo Neném e Daniela Sanches. Os figurinos, em tons de bege e branco, são polivalentes. Uma calça se transforma em bermuda om o uso de botões estrategicamente colocados. Palmas para Nello Marrese. ESPETÁCULO FOGE DA MEDIOCRIDADE DA FORMA Num espetáculo com tantos acertos, talvez o único deslize é, talvez, o resultado da paixão que envolveu a montagem. Uns 15 minutos a menosornariam “Pão com Mortadela” irresistível. Não se trata de uma vulgar questão de cansaço pela longa duração, mas de agilidade; algumas cenas são redundantes. Já foi dito, em alguma cena anterior, que Bukowski preferia a solidão. Em alguns momentos, a peça parece chover no molhado. Isso porém, não chega nem perto de embaçar o brilho de um espetáculo tão bonito e vigoroso. Comovente. Mil vezes um erro causado pela paixão do que os acertos banais atingidos através da mediocridade certinha que segue fórmulas. O homenageado poderia até fazer cara de mal, mas certamente aprovaria a homenagem.

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Espetáculo pão com mortadela

  • MICHELE

    Sáb 06 Dez 2008 18:08

    OI QUER SE MEU AMIGO MEU NOME É MICHELE.