- Quando o pai
morreu esfaqueado e a mãe, uma cozinheira que trabalhava com
o copo de cachaça ao lado do fogão, casou outra vez,
ele aproveitou a visita de uma Companhia de teatro mambembe a
Uberlândia para escapulir. A diretora do grupo, Abigail
Parecis, o adotou "de papel passado"e o levou para São
Paulo. - Em seu novo lar, tinha a tarefa de levar a filha de dona
Abigail às aulas de piano. Mas Otelo fugiu de novo e,
após várias entradas e saídas do Juizado de
Menores, foi adotado, mais uma vez, pela família de Antonio
de Queiroz, político influente da época. Dona
Eugênia, mulher de Queiroz, tinha ido ao Juizado atrás
de uma garota que a ajudasse na cozinha. O administrador do
albergue sugeriu que levasse o negrinho fujão que sabia
declamar, dançar e fazer graça. - Os Queiroz o
colocaram no Colégio Sagrado Coração de Jesus,
de padres salesianos, onde estudou até a terceira
série ginasial. - Nos anos 20 integrava a Companhia Negra de
Revistas, cujo maestro era Pixinguinha. - Em 1932, entrou para a
Companhia Jardel Jércolis (pai do ator Jardel Filho e um dos
pioneiros do teatro de revista), quando ganhou o apelido que o
consagrou. Os amigos o chamavam Pequeno Otelo, por razões
óbvias, mas ele preferiu o pseudônimo de The Great
Othelo, em inglês mesmo, que já era moda na
época. Depois traduziu para o português. - Em 1942,
participou de It's all true, filme realizado por Orson Welles no
Brasil. Em Fitzcarraldo (1982), do alemão Werner Herzog,
filmado na selva do Peru, quase enlouqueceu o ator Klaus Kinski que
tinha o ego do tamanho da Amazônia. Otelo precisava fazer uma
cena em inglês, mas resolveu falar espanhol, idioma que
Kinski desconhecia. Irado, Kinski retirou-se do set. Quando o filme
estreou na Alemanha, aquela foi a única cena aplaudida pelo
público, contou depois o diretor Herzog. - Uma
tragédia viria a abalar a vida de Otelo: sua mulher matou o
filho do casal, de seis anos de idade e se suicidou. As filmagens
de Carnaval no Fogo foi abalada. Otelo filmou a cena em que fazia o
papel de Julieta e Oscarito o de Romeu, sem saber da nada. Abalado,
afastou-se da fita e só assistiu a cena, quase trinta anos
depois. - Em 1993, um ataque do coração fulminou o
pequeno Grande Otelo, a caminho de Paris, para uma homenagem que
receberia no Festival de Nantes.
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