TIVEMOS A
HONRA DE TERMOS AMALIA RODRIGUES AQUI EM NOSSO
PAIS.
"Entrei na vida a
cantar..." Sobre Amalia Rodrigues 1920-Amália da
Piedade Rodrigues, nasceu em Lisboa no Pátio Santos, em casa
dos avós maternos, aonde ficou vivendo até os 14 anos.
1929-Começou a frequentar a Escola Oficial da Tapada da Ajuda,
aonde andou durante dois anos e meio, até que completou a
instrução primária. Durante esse tempo até 1934
trabalhou como bordadora, engomadeira, tarefeira nas fábricas
de bolos da Pampulha. 1934-Passou a viver com os pais, os quatro
irmãos e as três irmãs, sempre na zona operária
da Beira-Tejo. 1935-Durante dois anos, vendeu fruta, num stand no
Cais da Rocha, com a mãe e a irmã Celeste, dois anos mais
nova. Saio na Marcha de Alcântara, já como solista,
exibindo-se em ruas e verbenas. 1938-É inscrita no concurso da
Rainha do Fado dos Bairros, no qual não chega a participar,
pois as demais concorrentes, certas da sua vitoria, recusam-se a
competir com ela. Neste concurso, connhece Francisco da Cruz,
torneiro mecânico e guitarrista amador, com quem se casou em
1940, casamento que dura dois anos. Como fadista amadora, exibe-se
em festas e verbenas, com o nome de Amália Rebordão, por
causa do irmão, Filipe Rebordão, boxeur de certa fama.
1939-Na primavera, estreia-se no Retiro da Severa, como fadista
profissional, sendo último nome do elenco, passando a
cabeça de cartaz logo em Outubro. 1940-Canta no solar da
Alegria, Café Mondego, Retiro da Severa, começando a sua
colaboração com o poeta do fado Linhares Barbosa, e
também Frederico de Brito e Gabriel de Oliveira. Estreia-se no
teatro, em "Ora Vai Tu" [revista]. Inventa a fadista vestida de
negro com xaile negro. 1942-Canta no dancing Casablanca,
Pavilhão Português, Retiro dos Marialvas. Primeira figura
da revista Essa É Que É Essa, onde encontra o compositor
Frederico Valério, que compreende a beleza e extensão da
sua voz, escrevendo-lhe grandes êxitos. Boa Nova [revista], ao
lado de Hermínia Silva, cuja canção-titulo, de
Valério, é mais um triunfo. 1943-Madrid. Primeira
actuação no estrangeiro, a convite do embaixador Pedro
Teotónio Pereira, assistindo a um grande espectáculo de
flamengo, música com que se identifica totalmente, passando a
incluí-la no seu repertório, considerando-se, mais tarde,
uma cantora ibérica. Atracção da revista Alterta
Está!, com Mirita Casimiro e Vasco Santana, onde canta em
Brasileiro e Inglês. 1944-A Rosa Cantadeira [opera], ao lado
de Hermínia Silva, onde cria Fado do Ciúme. Primeira
figura de A Senhora da Atalaia [opera] e Ó Viva da Costa
[revista]. Actua no Casino de Copacabana, no Rio de Janeiro, no
show para ela concebido [Numa Aldeia Portuguesa], em festas na
rádio. 1945-Dez meses no Brasil, actuando com a Companhia de
Revistas Amália Rodrigues, no Teatro República, no Casino
de Copacabana, no rádio, em festas, em S. Paulo, gravando os
seus primeiros discos e criando Ai, Mouraria, de Valério.
1946-Canta no Café Luso. Atracão de Estás Na Lua
[revista], com Laura Alves e Costinha, protagonista da opereta
Mouraria, com Alberto e Costinha, protagonista da opera Moraria,
com Alberto Ribeiro, onde aparece de vestido negro comprido, com um
grande xaile negro, protótipo dos seus futuros vestidos de
cena, ganhando, caso inédito, 60 contos por mês.
1947-Atracção de Se Aquilo Que A Gente Sente [última
revista], com Irene Isidro, Vasco Santana e António Silva.
Estreia-se o filme Capas Negras, realização de Armando
Miranda, com Alberto Ribeiro, que bate todos os recordes de
permanência em exibição [22 semanas], onde cria
Não Sei Porque Te Foste Embora, de Valério. Filma, em
Madrid, 10 Fados, complementos curtos que, depois, passam nos
cinemas, onde cria Fado Malhoa, Fado Amália. Só Á
Noitinha, todos de Valério. Estreia-se o filme Fado, Historia
D'Uma Cantadeira, realização de Perdigão Queiroga,
com Virgílio Teixeira, êxito que ultrapassa o anterior,
onde cria O Fado de Cada Um, de Frederico de Freitas, recebendo,
pela sua interpretação, o prémio do SNI para a
melhor actriz cinematográfica do ano. 1948-Actua no Café
Luso, casinos, verbenas, dancings, teatros, programas de
variedades, especialmente O Combóio das Seis e Meia, no
Politeama. 1949-Canta no Café Lusa e Casino do Estoril. Sol e
Touros [filme], Vendaval Maravilhoso [filme histórico],
realizado por Leitão de Barros. Paris, Londres, Rio de
Janeiro, S. Paulo. 1950-Canta no Café Lusa e Casino do
Estoril. Espectáculos no âmbito do Plano Marshall:
Berlim, Dublin, Paris, Berna. Cria Foi Deus, de Alberto Janes.
Começa a sua colaboração e amizade com os poetas
Pedro Homem de Mello e David Mourão-Ferreira. 1951-Grande
tournée por África: Moçambique, Angola, Congo Belga.
Canta em Biarritz, San Sebastian, Madrid. 1952-Canta em Nova
Iorque, na boate La Vie En Rose, durante quatro meses, em festas e
no rádio, recebendo convites para actuar na Broadway, cantando
cantigas em Inglês. Actua em Genebra Lausana, Madrid Inicia a
sua colaboração com a editora descográfica Valentim
de Carvalho, gravando em Londres, nos estúdios de Abbey Road,
colaboração que se mantém até hoje.
1953-Primeira artista Portuguesa a actuar na televisão, no
Eddie Fisher Show, em Nova Iorque. Prolongadas estadias no
México, começando a cantar rancheras. 1954-Actua no
Mocambo, em Hollywood, recebendo convites para o cinema, e em Nova
Iorque. Oito meses no México. 1955-Estreia-se no teatro
declamado, como protagonista do drama A Severa, de Júlio
Dantas, com Assis Pacheco e Paulo Renato, Filma em Lisboa e Paris,
Les Amants du Tage, realização de Henri Verneiul, com
Daniel Gélin, Françoise Arnoul e Trevor Howard, onde cria
Barco Negro. Filma, no México, Musica de Siempre, com Edith
Piaf, Yma Sumc, Liberal Larmarque Agustin Lara. Filma April in
Portugal, produção inglesa em technicolor e cinemascope,
onde canta Coimbra, de Raul Ferrão actua no Brasil,
México, Espanha. 1956-Canta no Olympia, em Paris, como segunda
vedeta, fazendo dois programas consecutivos, mudando todo o
restante elenco, caso inédito. Actua na Côte d'Azur,
Bélgica, Argélia, México, Brasil. 1957-Canta no
Olympia, como primeira vedeta absoluta, começando a cantar em
francês, criando Aie, Mourir pour Toi, escrito expressamente
por Charles Aznavour. Actua no filme mexicano Canciones Unidas.
Canta em França, Suécia, Suíça, Venezuela.
1958-Protagonista de Sangue Toureiro, realizado por Augusto Fraga,
com Diamantino Viseu, primeiro filme Português colorido, onde
cria Amor Sou Tua, de Valério. Canta, pela primeira vez, na
televisão Portuguesa, onde também representa a peça
O Céu da Minha Rua, de Romeu Correia. Canta no Brasil,
Bélgica, Suécia, Dinamarca, Espanha. Na Feira de
Bruxelas, recebe de Marcelo Caetano, Ministro da Presidência,
a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de cavaleiro 1959-Canta
no Olympia, em Paris, por toda a França, em Espanha,
Tunísia, Argélica, Grécia, Israel. Na Câmara
Municipal de Paris recebe a Medalha de Honra de Prata da Cidade de
Paris. 1960-Canta no Olympia e no Bobino, em Paris, Espanha,
Tunísia, Argélia, Grécia, Bélgica. 1961-Casa,
no Rio de Janeiro, com o engenheiro César Seabra, anunciando
abandonar a vida artistica, para ficar a viver na Copacabana.
1962-Canta no Festival de Edimburgo, Angola, Espanha, e, em Paris,
no Théâtre ABC e na boate La Tête de l'Art. É
publicado o disco Asas Fechadas, grande viragem na sua vida
artística, onde canta o seu poema Estranha Forma de Vida, povo
Que Lavas No Rio, de Pedro Homem de Mello, poemas de David
Mourão Ferreira e Luís de Macedo e, pela primeira vez,
músicas de Alain Oulman. 1963-Canta no La Tête de l'Art,
grande temporada, Savoy, em Londres, França, Líbano.
1964-Filma Fado Corrido, com e realizado por Jorge Brum do Canto,
onde cria Cantiga da Boa Gente. Canta no La Tête de l'Art,
França, Itália, Bélgica, Holanda, Espanha.
1965-Filma Les Íles Enchantées, com Pierre Vaneck e
Pierre Clementi, realizado por Carlos Villardebó, por cuja
interpretação ganha o prémio do SNI para a melhor
actriz. Actua no Bobino, em França, Espanha, Bélgica,
Holanda. No meio de grande polémica, canta poemas de Luís
de Camões, com musica de Alain Oulman, a que se seguiram todos
os grandes poetas da língua Portuguesa, antigos e modernos;
cancioneiros, Bernardim Ribeiro, Castilho, José Régio,
Afonso Lopes Vieira 1966-É editado o primeiro disco em que
recria todo folclore, a que mais dois se seguirão. Com uma
grande orquestra sinfónica, dirigida por André
Kostelanetz, actua no Lincoln Center, em Nova Iorque, e no
Hollywood Bowl, em Los Angeles, Canta no La Tête de l'Art, em
Israel, Brasil, África do Sul, Angola, Moçambique. Filma
a produção Francesa Via Macau, onde cria Le Premier Jour
du Monde. Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco
Fandangueiro. 1967-É figura central das Olympíades du
Music-Hall, no Olympia, dedicadas a Portugal. Canta em França,
Canadá E.U.A., Brasil, Argentina, Uruguai. Em Cannes, recebe o
prémio MIDEM, para a artista que mais discos vende no seu
país, facto que se repete nos dois anos seguintes, proeza
só igualada pelos Beatles. 1968-Volta ao Lincoln Center, com a
orquestra de André Kostelanetz. Interpreta, na televisão,
a protagonista de A Sapateira Prodigiosa, de Frederico García
Lorcal. Actua na Roménia, Espanha, França, Canadá.
Nunca deixando de cantar todo o género de cantigas
Portuguesas, recuperando grandes sucessos dos teatro e do cinema,
atinge com Vou Dar de Beber À Dor, de Alberto Janes, o recorde
absoluto de vendas em Portugal, logo com versão em
Francês, Italiano, Espanhol, escrevendo aquele músico e
poetas uma série de grandes êxitos, todos de sucesso
internacional. Recebe do Estado Espanhol a Ordem de Isabel
Católica, laço de dama. 1969-Convidada de honra do
Festival du Marais, em Paris, e das Olimpíadas da
Canção, em Atenas. Grande tournée à URSS. Canta
em Nova Iorque, França, Moçambique, Rodésia,
África do Sul. Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco
Vou Dar de Beber À Dor 1970- Canta no Teatro Sistina, em Roma,
não parando mais de actuar na Itália, de norte a sul.
Canta no Sankei Hall, em Tóquio, passando a fazer
actuações regulares no Japão. Actua em Nova Iorque,
França, Bélgica, Holanda. É publicado o disco Com
Que Voz, onde canta os grandes poetas Portugueses, com música
de Alain Oulman, que é galardoado com o Grand Prix de la Ville
de Paris, IX Prémio Discográfico da Crítica
Italiana. Recebe do Presidente da República, Américo
Thomaz, a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de oficial.
Recebe do estado Francês a Ordem Militar de Santiago da
Espada, grau de cavaleiro. 1971-Representa na telenovela Brasileira
Os Deuses Devem Estar Mortos. Canta em Itália, Inglaterra,
França, RFA, Espanha, Líbano, Tunísia, Angola.
Recebe do ministro dos Negócios estrangeiros do Líbano a
Ordem dos Cedros do Líbano. 1972-No Canecão, Rio de
Janeiro, canta e conta a sua vida no espectáculo Um Amor de
Amália, que volta à cena no ano seguinte. Canta no La
Tête de l'Art, Itália, Austália, França,
Líbano, Tunísia, Angola, Moçambique, África do
Sul, Rodésia. 1973-Canta em Itália, França, Brasil,
Espanha, Líbano, Suécia. É publicado o disco
Encontro, onde é acompanhada pelo sax tenor americano Don
Byas. 1974-Canta no Théâtre de la Ville, em Paris,
Espanha, Itália, França, Bélgica, Holanda.
1975-Canta no Olympia, em Paris, no Canergie Hall, em Nove Iorque,
Itália, Bélgica, Canadá. Grandes tournées por
Portugal. 1976-Canta no Théâtre des Champs Elysées,
em Paris, Japão, Roménia, Itália, Brasil, Espanha.
É publicado pela UNESCO o disco Le Cadeau de la Vie, onde
Figura ao lado de Maria Callas, John Lennon, Yehudin Menuhin, Aldo
Ciccolini, Gyorgy Cziffra, Daniel Batenboim. 1977-Canta no Carnegie
Hall, em Nova Iorque, Espanha, França, Bélgica,
Itália, Israel. É publicado o disco Cantigas Numa
Língua Antiga, todo com poemas de grandes poetas e música
de Alain Oulman. 1978-Canta em Itália, França,
Suíça, Bélgica, África do Sul, Zimbabwe,
Canadá, Venezuela, Argentina, Brasil. 1979-Canta em
Itália, RFA, Holand, Bélgica, França, Brasil.
1980-Canta no The Newport Music Festival, em Itália,
França, Bélgica, Holanda. É publicado o disco
Gostava de Ser Quem Era, todo com poemas seus. Recebe do Presidente
da República, Ramalho Eanes, a Ordem do Infante D. Henrique,
grau de grande oficial. Recebe a Medalha de Ouro da Cidade de
Lisboa. 1981-Canta em Itália, Suíça, Holanda.
Bélgica, Brasil, Argentina, Chile, RFA.
1982-Actuações não regulares por doença. É
publicado o disco Amália Volta a Cantar Frederico
Valério. 1983-Convidada de honra do Festival da
Canção de Atenas, canta em Itália, África do
Sul, Brasil, Holanda, Bélgica. É publicado o disco
Lágrima, todo com poemas seus. 1984-Um ano de paragem por
doença. É publicado o disco Amália Na Broadway, todo
com cantigas em Inglês, acompanhado por uma orquestra dirigida
por Norrie Paramor, gravado em 1965. 1985-Reaparição
triunfal no Coliseu dos Recreios, Olympia, Coliseu do Porto,
Itália. Recebe de Jack Lang, Ministro da Cultura de
França, a Ordem das Artes e das Letras, grau de comendador. Em
Toronto, o dia 6 de Outubro passa a ser Dia Oficial de Amália
Rodrigues. 1986-Grande homenagem no Casino de Paris, canta em
Itália, Bélgica, Japão, Turquia, Inglaterra. 1987-
Canta no Olympia, em Paris, Itália, Suíça,
Bélgica, Holanda, RFA, Coliseu dos Recreios, Coliseu do Porto.
É publicado Amália, Uma Biografia, de Vítor
Pavão dos Santos. 1988-Canta em Itália, Japão,
Suécia, Bélgica. Holanda, Luxemburgo. 1989-Grandes
comemorações dos 50 anos de actividade artística.
Museu Nacional do Teatro: Amália. 50 Anos, retrospectiva de
toda a carreira. Cinemateca Portuguesa: retrospectiva de todos os
seus filmes. Espectáculos de homenagem nas Termas de Caracala,
em Roma. Recebe de Jacques Chirac, Presidente da Câmara de
Paris, a Grande Medalha de Vermeil da Cidade de Paris. No Vaticano,
é recebida em audiência privada pelo Papa João Paulo
II. É convidada de honra do Estado Francês para as
Grandes Comemorações do Bicentenário da
Revolução Francesa. 1990-Grande espectáculo de
homenagem no Coliseu dos Recreios, onde recebe, em cena aberta, do
Presidente da Republica, Mário Soares, a Ordem Militar de
Santiago da Espada, Grãcruz. Homenagens em Madrid, Paris,
Tóquio, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Lisboa, no Teatro
Nacional de S. Carlos e no Coliseu do Porto. É publicado o
disco Obsessão. É publicado o vídeo Amália em
New York, realizado por Bruno de Almeida. 1991-Recebe de
François Mitterrand, Presidente da República de
França, a Legião de Honra. 1992-É publicado
Amália. Uma Estranha Forma de Vida, fotobiografia, por
Vítor Pavão dos Santos. 1993-Continua sendo homenageada
por todo o mundo. 1994-Acuta no Coliseu dos Recreios, num
emocionante espectáculo integrado em Lisboa 94. Lisboa Capital
Europeia da Cultura. 1995-São apresentados na
Radiotelevisão Portuguesa, e depois publicados comercialmente,
uma colecção de cinco vídeos, procurando abranger
toda a sua carreira, Amália, Uma Estranha Forma de Vida,
realização de Bruno de Almeida, textos e
investigação de Vítor Pavão dos Santos. É
publicado o disco Pela Primeira Vez, com as primeiras
gravações. 1996-Pausa por doença grave.
1997-Completamente restabelecida, prepara-se para voltar a cantar.
Depois de 36 anos de um casamento envolto na mais perfeita
compreensão e profunda ternura, dá-se a morte súbita
de César Seabra.
"Entrei na vida a
cantar..." Sobre Amalia Rodrigues 1920-Amália da
Piedade Rodrigues, nasceu em Lisboa no Pátio Santos, em casa
dos avós maternos, aonde ficou vivendo até os 14 anos.
1929-Começou a frequentar a Escola Oficial da Tapada da Ajuda,
aonde andou durante dois anos e meio, até que completou a
instrução primária. Durante esse tempo até 1934
trabalhou como bordadora, engomadeira, tarefeira nas fábricas
de bolos da Pampulha. 1934-Passou a viver com os pais, os quatro
irmãos e as três irmãs, sempre na zona operária
da Beira-Tejo. 1935-Durante dois anos, vendeu fruta, num stand no
Cais da Rocha, com a mãe e a irmã Celeste, dois anos mais
nova. Saio na Marcha de Alcântara, já como solista,
exibindo-se em ruas e verbenas. 1938-É inscrita no concurso da
Rainha do Fado dos Bairros, no qual não chega a participar,
pois as demais concorrentes, certas da sua vitoria, recusam-se a
competir com ela. Neste concurso, connhece Francisco da Cruz,
torneiro mecânico e guitarrista amador, com quem se casou em
1940, casamento que dura dois anos. Como fadista amadora, exibe-se
em festas e verbenas, com o nome de Amália Rebordão, por
causa do irmão, Filipe Rebordão, boxeur de certa fama.
1939-Na primavera, estreia-se no Retiro da Severa, como fadista
profissional, sendo último nome do elenco, passando a
cabeça de cartaz logo em Outubro. 1940-Canta no solar da
Alegria, Café Mondego, Retiro da Severa, começando a sua
colaboração com o poeta do fado Linhares Barbosa, e
também Frederico de Brito e Gabriel de Oliveira. Estreia-se no
teatro, em "Ora Vai Tu" [revista]. Inventa a fadista vestida de
negro com xaile negro. 1942-Canta no dancing Casablanca,
Pavilhão Português, Retiro dos Marialvas. Primeira figura
da revista Essa É Que É Essa, onde encontra o compositor
Frederico Valério, que compreende a beleza e extensão da
sua voz, escrevendo-lhe grandes êxitos. Boa Nova [revista], ao
lado de Hermínia Silva, cuja canção-titulo, de
Valério, é mais um triunfo. 1943-Madrid. Primeira
actuação no estrangeiro, a convite do embaixador Pedro
Teotónio Pereira, assistindo a um grande espectáculo de
flamengo, música com que se identifica totalmente, passando a
incluí-la no seu repertório, considerando-se, mais tarde,
uma cantora ibérica. Atracção da revista Alterta
Está!, com Mirita Casimiro e Vasco Santana, onde canta em
Brasileiro e Inglês. 1944-A Rosa Cantadeira [opera], ao lado
de Hermínia Silva, onde cria Fado do Ciúme. Primeira
figura de A Senhora da Atalaia [opera] e Ó Viva da Costa
[revista]. Actua no Casino de Copacabana, no Rio de Janeiro, no
show para ela concebido [Numa Aldeia Portuguesa], em festas na
rádio. 1945-Dez meses no Brasil, actuando com a Companhia de
Revistas Amália Rodrigues, no Teatro República, no Casino
de Copacabana, no rádio, em festas, em S. Paulo, gravando os
seus primeiros discos e criando Ai, Mouraria, de Valério.
1946-Canta no Café Luso. Atracão de Estás Na Lua
[revista], com Laura Alves e Costinha, protagonista da opereta
Mouraria, com Alberto e Costinha, protagonista da opera Moraria,
com Alberto Ribeiro, onde aparece de vestido negro comprido, com um
grande xaile negro, protótipo dos seus futuros vestidos de
cena, ganhando, caso inédito, 60 contos por mês.
1947-Atracção de Se Aquilo Que A Gente Sente [última
revista], com Irene Isidro, Vasco Santana e António Silva.
Estreia-se o filme Capas Negras, realização de Armando
Miranda, com Alberto Ribeiro, que bate todos os recordes de
permanência em exibição [22 semanas], onde cria
Não Sei Porque Te Foste Embora, de Valério. Filma, em
Madrid, 10 Fados, complementos curtos que, depois, passam nos
cinemas, onde cria Fado Malhoa, Fado Amália. Só Á
Noitinha, todos de Valério. Estreia-se o filme Fado, Historia
D'Uma Cantadeira, realização de Perdigão Queiroga,
com Virgílio Teixeira, êxito que ultrapassa o anterior,
onde cria O Fado de Cada Um, de Frederico de Freitas, recebendo,
pela sua interpretação, o prémio do SNI para a
melhor actriz cinematográfica do ano. 1948-Actua no Café
Luso, casinos, verbenas, dancings, teatros, programas de
variedades, especialmente O Combóio das Seis e Meia, no
Politeama. 1949-Canta no Café Lusa e Casino do Estoril. Sol e
Touros [filme], Vendaval Maravilhoso [filme histórico],
realizado por Leitão de Barros. Paris, Londres, Rio de
Janeiro, S. Paulo. 1950-Canta no Café Lusa e Casino do
Estoril. Espectáculos no âmbito do Plano Marshall:
Berlim, Dublin, Paris, Berna. Cria Foi Deus, de Alberto Janes.
Começa a sua colaboração e amizade com os poetas
Pedro Homem de Mello e David Mourão-Ferreira. 1951-Grande
tournée por África: Moçambique, Angola, Congo Belga.
Canta em Biarritz, San Sebastian, Madrid. 1952-Canta em Nova
Iorque, na boate La Vie En Rose, durante quatro meses, em festas e
no rádio, recebendo convites para actuar na Broadway, cantando
cantigas em Inglês. Actua em Genebra Lausana, Madrid Inicia a
sua colaboração com a editora descográfica Valentim
de Carvalho, gravando em Londres, nos estúdios de Abbey Road,
colaboração que se mantém até hoje.
1953-Primeira artista Portuguesa a actuar na televisão, no
Eddie Fisher Show, em Nova Iorque. Prolongadas estadias no
México, começando a cantar rancheras. 1954-Actua no
Mocambo, em Hollywood, recebendo convites para o cinema, e em Nova
Iorque. Oito meses no México. 1955-Estreia-se no teatro
declamado, como protagonista do drama A Severa, de Júlio
Dantas, com Assis Pacheco e Paulo Renato, Filma em Lisboa e Paris,
Les Amants du Tage, realização de Henri Verneiul, com
Daniel Gélin, Françoise Arnoul e Trevor Howard, onde cria
Barco Negro. Filma, no México, Musica de Siempre, com Edith
Piaf, Yma Sumc, Liberal Larmarque Agustin Lara. Filma April in
Portugal, produção inglesa em technicolor e cinemascope,
onde canta Coimbra, de Raul Ferrão actua no Brasil,
México, Espanha. 1956-Canta no Olympia, em Paris, como segunda
vedeta, fazendo dois programas consecutivos, mudando todo o
restante elenco, caso inédito. Actua na Côte d'Azur,
Bélgica, Argélia, México, Brasil. 1957-Canta no
Olympia, como primeira vedeta absoluta, começando a cantar em
francês, criando Aie, Mourir pour Toi, escrito expressamente
por Charles Aznavour. Actua no filme mexicano Canciones Unidas.
Canta em França, Suécia, Suíça, Venezuela.
1958-Protagonista de Sangue Toureiro, realizado por Augusto Fraga,
com Diamantino Viseu, primeiro filme Português colorido, onde
cria Amor Sou Tua, de Valério. Canta, pela primeira vez, na
televisão Portuguesa, onde também representa a peça
O Céu da Minha Rua, de Romeu Correia. Canta no Brasil,
Bélgica, Suécia, Dinamarca, Espanha. Na Feira de
Bruxelas, recebe de Marcelo Caetano, Ministro da Presidência,
a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de cavaleiro 1959-Canta
no Olympia, em Paris, por toda a França, em Espanha,
Tunísia, Argélica, Grécia, Israel. Na Câmara
Municipal de Paris recebe a Medalha de Honra de Prata da Cidade de
Paris. 1960-Canta no Olympia e no Bobino, em Paris, Espanha,
Tunísia, Argélia, Grécia, Bélgica. 1961-Casa,
no Rio de Janeiro, com o engenheiro César Seabra, anunciando
abandonar a vida artistica, para ficar a viver na Copacabana.
1962-Canta no Festival de Edimburgo, Angola, Espanha, e, em Paris,
no Théâtre ABC e na boate La Tête de l'Art. É
publicado o disco Asas Fechadas, grande viragem na sua vida
artística, onde canta o seu poema Estranha Forma de Vida, povo
Que Lavas No Rio, de Pedro Homem de Mello, poemas de David
Mourão Ferreira e Luís de Macedo e, pela primeira vez,
músicas de Alain Oulman. 1963-Canta no La Tête de l'Art,
grande temporada, Savoy, em Londres, França, Líbano.
1964-Filma Fado Corrido, com e realizado por Jorge Brum do Canto,
onde cria Cantiga da Boa Gente. Canta no La Tête de l'Art,
França, Itália, Bélgica, Holanda, Espanha.
1965-Filma Les Íles Enchantées, com Pierre Vaneck e
Pierre Clementi, realizado por Carlos Villardebó, por cuja
interpretação ganha o prémio do SNI para a melhor
actriz. Actua no Bobino, em França, Espanha, Bélgica,
Holanda. No meio de grande polémica, canta poemas de Luís
de Camões, com musica de Alain Oulman, a que se seguiram todos
os grandes poetas da língua Portuguesa, antigos e modernos;
cancioneiros, Bernardim Ribeiro, Castilho, José Régio,
Afonso Lopes Vieira 1966-É editado o primeiro disco em que
recria todo folclore, a que mais dois se seguirão. Com uma
grande orquestra sinfónica, dirigida por André
Kostelanetz, actua no Lincoln Center, em Nova Iorque, e no
Hollywood Bowl, em Los Angeles, Canta no La Tête de l'Art, em
Israel, Brasil, África do Sul, Angola, Moçambique. Filma
a produção Francesa Via Macau, onde cria Le Premier Jour
du Monde. Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco
Fandangueiro. 1967-É figura central das Olympíades du
Music-Hall, no Olympia, dedicadas a Portugal. Canta em França,
Canadá E.U.A., Brasil, Argentina, Uruguai. Em Cannes, recebe o
prémio MIDEM, para a artista que mais discos vende no seu
país, facto que se repete nos dois anos seguintes, proeza
só igualada pelos Beatles. 1968-Volta ao Lincoln Center, com a
orquestra de André Kostelanetz. Interpreta, na televisão,
a protagonista de A Sapateira Prodigiosa, de Frederico García
Lorcal. Actua na Roménia, Espanha, França, Canadá.
Nunca deixando de cantar todo o género de cantigas
Portuguesas, recuperando grandes sucessos dos teatro e do cinema,
atinge com Vou Dar de Beber À Dor, de Alberto Janes, o recorde
absoluto de vendas em Portugal, logo com versão em
Francês, Italiano, Espanhol, escrevendo aquele músico e
poetas uma série de grandes êxitos, todos de sucesso
internacional. Recebe do Estado Espanhol a Ordem de Isabel
Católica, laço de dama. 1969-Convidada de honra do
Festival du Marais, em Paris, e das Olimpíadas da
Canção, em Atenas. Grande tournée à URSS. Canta
em Nova Iorque, França, Moçambique, Rodésia,
África do Sul. Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco
Vou Dar de Beber À Dor 1970- Canta no Teatro Sistina, em Roma,
não parando mais de actuar na Itália, de norte a sul.
Canta no Sankei Hall, em Tóquio, passando a fazer
actuações regulares no Japão. Actua em Nova Iorque,
França, Bélgica, Holanda. É publicado o disco Com
Que Voz, onde canta os grandes poetas Portugueses, com música
de Alain Oulman, que é galardoado com o Grand Prix de la Ville
de Paris, IX Prémio Discográfico da Crítica
Italiana. Recebe do Presidente da República, Américo
Thomaz, a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de oficial.
Recebe do estado Francês a Ordem Militar de Santiago da
Espada, grau de cavaleiro. 1971-Representa na telenovela Brasileira
Os Deuses Devem Estar Mortos. Canta em Itália, Inglaterra,
França, RFA, Espanha, Líbano, Tunísia, Angola.
Recebe do ministro dos Negócios estrangeiros do Líbano a
Ordem dos Cedros do Líbano. 1972-No Canecão, Rio de
Janeiro, canta e conta a sua vida no espectáculo Um Amor de
Amália, que volta à cena no ano seguinte. Canta no La
Tête de l'Art, Itália, Austália, França,
Líbano, Tunísia, Angola, Moçambique, África do
Sul, Rodésia. 1973-Canta em Itália, França, Brasil,
Espanha, Líbano, Suécia. É publicado o disco
Encontro, onde é acompanhada pelo sax tenor americano Don
Byas. 1974-Canta no Théâtre de la Ville, em Paris,
Espanha, Itália, França, Bélgica, Holanda.
1975-Canta no Olympia, em Paris, no Canergie Hall, em Nove Iorque,
Itália, Bélgica, Canadá. Grandes tournées por
Portugal. 1976-Canta no Théâtre des Champs Elysées,
em Paris, Japão, Roménia, Itália, Brasil, Espanha.
É publicado pela UNESCO o disco Le Cadeau de la Vie, onde
Figura ao lado de Maria Callas, John Lennon, Yehudin Menuhin, Aldo
Ciccolini, Gyorgy Cziffra, Daniel Batenboim. 1977-Canta no Carnegie
Hall, em Nova Iorque, Espanha, França, Bélgica,
Itália, Israel. É publicado o disco Cantigas Numa
Língua Antiga, todo com poemas de grandes poetas e música
de Alain Oulman. 1978-Canta em Itália, França,
Suíça, Bélgica, África do Sul, Zimbabwe,
Canadá, Venezuela, Argentina, Brasil. 1979-Canta em
Itália, RFA, Holand, Bélgica, França, Brasil.
1980-Canta no The Newport Music Festival, em Itália,
França, Bélgica, Holanda. É publicado o disco
Gostava de Ser Quem Era, todo com poemas seus. Recebe do Presidente
da República, Ramalho Eanes, a Ordem do Infante D. Henrique,
grau de grande oficial. Recebe a Medalha de Ouro da Cidade de
Lisboa. 1981-Canta em Itália, Suíça, Holanda.
Bélgica, Brasil, Argentina, Chile, RFA.
1982-Actuações não regulares por doença. É
publicado o disco Amália Volta a Cantar Frederico
Valério. 1983-Convidada de honra do Festival da
Canção de Atenas, canta em Itália, África do
Sul, Brasil, Holanda, Bélgica. É publicado o disco
Lágrima, todo com poemas seus. 1984-Um ano de paragem por
doença. É publicado o disco Amália Na Broadway, todo
com cantigas em Inglês, acompanhado por uma orquestra dirigida
por Norrie Paramor, gravado em 1965. 1985-Reaparição
triunfal no Coliseu dos Recreios, Olympia, Coliseu do Porto,
Itália. Recebe de Jack Lang, Ministro da Cultura de
França, a Ordem das Artes e das Letras, grau de comendador. Em
Toronto, o dia 6 de Outubro passa a ser Dia Oficial de Amália
Rodrigues. 1986-Grande homenagem no Casino de Paris, canta em
Itália, Bélgica, Japão, Turquia, Inglaterra. 1987-
Canta no Olympia, em Paris, Itália, Suíça,
Bélgica, Holanda, RFA, Coliseu dos Recreios, Coliseu do Porto.
É publicado Amália, Uma Biografia, de Vítor
Pavão dos Santos. 1988-Canta em Itália, Japão,
Suécia, Bélgica. Holanda, Luxemburgo. 1989-Grandes
comemorações dos 50 anos de actividade artística.
Museu Nacional do Teatro: Amália. 50 Anos, retrospectiva de
toda a carreira. Cinemateca Portuguesa: retrospectiva de todos os
seus filmes. Espectáculos de homenagem nas Termas de Caracala,
em Roma. Recebe de Jacques Chirac, Presidente da Câmara de
Paris, a Grande Medalha de Vermeil da Cidade de Paris. No Vaticano,
é recebida em audiência privada pelo Papa João Paulo
II. É convidada de honra do Estado Francês para as
Grandes Comemorações do Bicentenário da
Revolução Francesa. 1990-Grande espectáculo de
homenagem no Coliseu dos Recreios, onde recebe, em cena aberta, do
Presidente da Republica, Mário Soares, a Ordem Militar de
Santiago da Espada, Grãcruz. Homenagens em Madrid, Paris,
Tóquio, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Lisboa, no Teatro
Nacional de S. Carlos e no Coliseu do Porto. É publicado o
disco Obsessão. É publicado o vídeo Amália em
New York, realizado por Bruno de Almeida. 1991-Recebe de
François Mitterrand, Presidente da República de
França, a Legião de Honra. 1992-É publicado
Amália. Uma Estranha Forma de Vida, fotobiografia, por
Vítor Pavão dos Santos. 1993-Continua sendo homenageada
por todo o mundo. 1994-Acuta no Coliseu dos Recreios, num
emocionante espectáculo integrado em Lisboa 94. Lisboa Capital
Europeia da Cultura. 1995-São apresentados na
Radiotelevisão Portuguesa, e depois publicados comercialmente,
uma colecção de cinco vídeos, procurando abranger
toda a sua carreira, Amália, Uma Estranha Forma de Vida,
realização de Bruno de Almeida, textos e
investigação de Vítor Pavão dos Santos. É
publicado o disco Pela Primeira Vez, com as primeiras
gravações. 1996-Pausa por doença grave.
1997-Completamente restabelecida, prepara-se para voltar a cantar.
Depois de 36 anos de um casamento envolto na mais perfeita
compreensão e profunda ternura, dá-se a morte súbita
de César Seabra.
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