No
dia 27 de abril um acordo judicial proibiu a produção e a venda de
um livro que estava na lista dos mais vendidos: a biografia
não-autorizada "Roberto Carlos em detalhes". Curiosamente, o autor
do livro, Paulo César de Araújo, se diz fã do rei desde criancinha.
Exclusivo: Roberto Carlos explica porque recorreu à Justiça para
censurar o livro que conta toda a história de sua vida. “Eu
não sei por que essa onda toda, de achar que isso é uma volta à
censura. Isso não se trata de censura”, afirma ele. No dia 27
de abril, um acordo judicial proibiu a produção e a venda de um
livro que estava na lista dos mais vendidos: a biografia
não-autorizada “Roberto Carlos em detalhes”, escrita
por um autor que se diz fã do rei desde criancinha, Paulo César de
Araújo. “Eu queria que o Roberto Carlos tivesse um livro
assim, que analisasse em profundidade a sua trajetória na música
brasileira”, diz o escritor. A decisão provocou a maior
polêmica. “Conheço vários biógrafos que têm problemas
justamente com isso. Daqui a pouco a gente está assistindo a volta
da censura”, repreende o escritor Paulo Coelho. “È o
ressurgimento de uma censura togada, no Brasil”, denuncia o
escritor Fernando Morais. Um mês depois, Roberto Carlos se defende
e fala ao Fantástico durante uma excursão aos Estados Unidos. Os
dois shows em Miami para o lançamento do CD e a gravação do DVD em
espanhol, depois de quase 10 anos sem cantar ao vivo para este
público, foram para matar a saudade de muita gente. A retomada da
carreira internacional acontece num dos momentos mais importantes
profissionalmente. Roberto Carlos acaba de entrar para o seleto
grupo de artistas com 100 milhões de discos vendidos no mundo, ao
lado de cantores como Michael Jackson e Barbra Streisand. Ele é o
único sul-americano a alcançar essa marca. A imprensa internacional
também comemorou o retorno de Roberto Carlos. Em entrevista
coletiva com jornalistas do mundo todo ele foi comparado a outro
“Rei”: Elvis Presley. E disse que o recolhimento foi
necessário para curar as feridas deixadas pela morte da mulher
Maria Rita, em 1999. “O tamanho do amor é o tamanho dessa
dor”, disse ele. E falou da expectativa dessa nova fase
internacional: “Minha expectativa é muito otimista. Estou
empenhado em fazer tudo como eu sempre gosto de fazer: com muito
cuidado, com muito cuidado, detalhismo”. Em entrevista
exclusiva ao Fantástico Roberto Carlos falou sobre o tratamento do
transtorno obsessivo-compulsivo – a razão para tantos rituais
e superstições que o acompanham há décadas. Ele disse que melhorou,
mas a doença ainda existe. Roberto Carlos: Veja bem, eu não estou
curado, estou melhor. Algumas coisas estão mais fáceis na minha
vida, porque o TOC dificulta muito a vida da gente, muito mesmo.
Então algumas coisas são mais fáceis, mas não estou curado. Então,
tenho que fazer muita terapia ainda. Lília Teles: O famigerado
marrom, que é um dos grandes problemas, todo mundo sabe que não é
pra chegar perto de marrom... Existe isso mesmo, ainda é um
problema para você? Roberto Carlos: Eu não visto marrom, mas nunca
reclamei que alguém vestisse marrom. Eu não gosto de gravem comigo
de marrom, não gosto muito não. Mas o marrom é uma cor que eu não
gosto mesmo, não curto. O coração também continua como sempre.
Lília Teles: Está namorando? Roberto Carlos: Não estou não. Lília
Teles: Por que estão sempre arranjando uma namorada para Roberto
Carlos? Roberto Carlos: É. Toda hora me arranjam uma. Lília Teles:
Essas namoradas não existem? Roberto Carlos: Não. Não existem. E
foi em Miami também, quando se preparava para o show, que Roberto
Carlos resolveu falar sobre a primeira vez sobre a maior polêmica
em que já se envolveu desde o início da carreira: a decisão de ter
entrado na Justiça para impedir, mais uma vez, que fossem revelados
segredos sobre sua vida. Roberto conta porque ficou tão incomodado
com a biografia “Roberto Carlos em detalhes”, do autor
Paulo César de Araújo. Roberto Carlos: Em primeiro lugar, não vejo
porque uma biografia não-autorizada se eu pudesse autorizá-la, se
me fosse consultado. Se eu estou aqui, porque não autorizá-la se
ela pode ser autorizada? Em segundo lugar, a invasão de
privacidade, que para mim é uma coisa fundamental em ser protegida.
Enfim, para mim essas são duas das coisas principais. Lília Teles:
Você autorizaria se ele tivesse te pedido? Roberto Carlos: Não. A
invasão de privacidade é uma coisa muito séria. Quando, antes de eu
entrar com essa ação, eu logicamente consultei os meus advogados,
que direito eu tinha dentro da lei, da Constituição, em relação a
isso. E se chegou a conclusão que a lei realmente protege a
privacidade de todo mundo, de todo o cidadão. Enfim, dentro da lei
é que nós tomamos essa decisão e entramos com a ação. Lília Teles:
Mesmo você sendo uma pessoa pública, você acha que isso também
não... Roberto Calos: A mesma coisa. A lei diz isso. Ele afirma que
não houve censura. Roberto Carlos: Eu não sei por que essa onda
toda de achar que isso é uma volta à censura. Isso não se trata de
censura. Se trata de proteger a minha privacidade. E outra coisa
que eu quero explicar, que eu acho que tem que ficar muito claro: o
livro saiu de circulação por um acordo. Não foi julgado, não foi
proibido o livro pela Justiça. O livro saiu de circulação por um
acordo. Eles podiam não ter topado o acordo. O acordo foi feito
porque eles toparam. Lília Teles: Eles chegaram a sugerir que você
falasse de algumas partes que você não gostava, para que eles
tirassem? Isso passou pela sua cabeça? De você sugerir que eles
tirassem algumas partes ou não? Roberto Carlos: Não, porque isso é
que realmente seria censura. Eles chegaram a me propor isso, mas eu
não concordei, porque, na realidade, isso seria censura. Eles me
propuseram, mas eu não quis. Lília Teles: Você leu o livro? Roberto
Carlos: Li. Li todo. Lília Teles: Os livros foram entregues a você.
E o que você vai fazer desses livros? Roberto Carlos: Não sei.
Agora, quero que fique também claro que eu nunca disse que ia
queimar os livros. Não sei de onde surgiu essa história. Nunca
pensei em queimar os livros. Agora, fico pensando no que eu vou
fazer, porque só tem duas opções. Ou guardo os livros pra sempre em
algum ligar, ou uma outra opção seria reciclar, que a gente não
decidiu ainda o que fazer. Mas com certeza queimar o livro nunca
passou pela minha cabeça. Ele diz que sai magoado do episódio,
principalmente, pelo julgamento que sofreu de algumas pessoas.
Roberto Carlos: Logicamente que todos estes ataques, essas coisas
que têm falado sobre a minha atitude, tem me incomodado muito, tem
me incomodado sim. Mas, estou consciente da minha atitude, estou
tranqüilo em relação ao que eu fiz. Eu tenho certeza que não fiz
nada de errado, porque fiz, sobretudo, o que a lei me permite. Eu
acho que a lei protege as pessoas que agem corretamente. Não foi a
primeira vez que Roberto Carlos impediu a divulgação de biografias
não-autorizadas. Pelo menos outros três autores também tentaram
desvendar os segredos sobre a vida do Rei. Mas Roberto diz que ele
próprio pretende contar sua história. Roberto Carlos: Eu pretendo
escrever meu livro, ditar meu livro para alguém escrever. Gostaria
que me livro fosse orientado, vamos dizer, a minha história, minha
biografia fosse orientada por mim. Eu contaria minha história da
forma mais detalhada possível. Por enquanto, os fãs parecem se
contentar em conhecer um Roberto Carlos que sabe cantar falando de
amor
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