...Sujeito trabalhando pesado vê outro deitado numa rede,
na maior folga e diz:
- Você sabia que a preguiça é um dos sete pecados capitais?
E o outro sem nem se mexer lhe responde:
- A inveja também!!!
A Cigarra e a Formiga (A Formiga Boa - Monteiro Lobato)
Houve uma jovem cigarra que tinha o
costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava
quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na
eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos,
arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em
grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o
formigueiro. Bateu – tique, tique, tique...
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de
paina.
- Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de
lama e a tossir.
- Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e
eu...
A formiga olhou-a de alto a baixo.
- E que fez durante o bom tempo que não construiu a sua
casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de
tosse.
- Eu cantava, bem sabe...
- Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você
então que cantava nessa árvore enquanto nós
labutávamos para encher as tulhas?
- Isso mesmo, era eu...
Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que
sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e
aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter
como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui
terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora
dos dias de sol.
Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.




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