Encontrando Sean Penn Provavelmente um
dos clipes mais populares de Madonna é o que ela fez para
"Material Girl", uma releitura moderna da performance vocal mais
famosa de Marilyn Monroe, "Diamonds Are A Girl's Best Friend".
Madonna disse na época: "De certa forma, Marilyn foi
transformada em algo não humano, e isso tem a ver comigo.
Todo mundo estava obcecado com sua sexualidade, e isso
também tem a ver comigo. E havia certas coisas sobre sua
vulnerabilidade que me deixaram curiosa e me atraíram".
Quando chegou a hora de filmar o videoclipe (dois dias em Los
Angeles em fevereiro de 1985), Madonna decidiu-se por uma clara e
óbvia homenagem a sua inspiração loira,
Marilyn Monroe. O clipe apresentava Madonna vestindo uma
réplica exata do vestido rosa-choque de Marilyn no filme "Os
homens preferem as loiras" (ela odiava o vestido, porém,
queixando-se de que não parava de escorregar na altura do
peito), cantando no set reconstruído do filme, complementado
por uma escada, candelabros e um coro de rapazes devidamente
trajados com smoking. ("Não posso desdenhar completamente da
canção e do vídeo, pois certamente foram
importantes em minha carreira, disse mais tarde. "Mas a
mídia se agarrava a uma frase e interpretava tudo do jeito
errado. Eu não escrevi aquela música e o clipe era
apenas sobre como uma garota rejeitava dinheiro e diamantes. Mas
Deus não permite que a ironia seja percebida. Então,
quando eu estiver com noventa anos, ainda vou ser a Material Girl.
Acho que não é tão ruim, afinal. Lana Turner
foi a Sweater Girl até o dia em que morreu.") A assistente
de Freddy DeMann, Melinda Cooper, levou Madonna para a sala de
gravação onde "Material Girl" seria filmado. Uma
fotografia tirada nesse dia a mostra usando um corpete cor-de-rosa
e uma blusa preta de veludo, desabotoada o suficiente para mostrar
seu sutiã preto Chantelle. Ela também usava
óculos escuros largos e um chapéu vermelho de aba
larga, tudo para não ser reconhecida. Devido à
grandiosidade da produção do videoclipe - e à
associação com a figura de Marilyn Monroe, que estava
fadada a causar sensação -, Melinda Cooper sentiu que
a vida e a carreira de Madonna estavam prestes a se transformar.
Era uma idéia empolgante. 'Você se dá conta de
quantas coisas irão mudar para você agora?", ela
perguntou enquanto a levava ao set. "O que você quer dizer?",
Madonna respondeu. Ela estava com seu espelhinho na mão,
examinando uma espinha. Jesus Cristo, com tantos dias para ter uma
espinha...", disse, preocupada. "Eu pergunto a você se mais
alguma coisa pode dar errado em minha vida." "Quer dizer, seu mundo
nunca mais vai ser o mesmo depois desse videoclipe", disse Melinda,
ignorando a pergunta retórica de Madonna. "Você sabe
disso?" Madonna fechou o espelhinho. "Eu sei disso, Melinda",
falou, incomodada, "mas será que dá pra gente ir
logo?" Nesse primeiro dia no set, sentada no alto da escada
esperando o filme começar, Madonna olhou para baixo e notou
um rapaz vestido com jaqueta de couro, de óculos escuros,
parado num canto no que parecia ser uma pose deliberada, olhando
fixamente para ela. Era o ator de 24 anos Sean Penn - nascido em 17
de agosto de 1960 -, na época considerado o mais
melancólico e contemplativo (e provavelmente o mais
talentoso) dos jovens atores de Hollywood, mais um do "bando de
garotos malcriados". (Os outros componentes do assim chamado "Brat
Pack" incluíam os jovens atores Charlie Sheen e Emilio
Estevez.) Por ser proveniente de um meio privilegiado, criado em
Beverly Hills com pai e mãe pertencentes ao showbiz (seu pai
era o diretor de televisão Leo Penn e sua mãe a atriz
Eileen Ryan), Penn não precisou batalhar muito para
encontrar seu caminho no cinema. No entanto, seu estilo de vida
privilegiado não o tornou menos irascível. Tinha a
reputação de ser um jovem intensamente reservado,
às vezes violento e muito ciumento - e também um ator
competente graças a papéis em "Fast Times at
Ridgemont Hight", "Racing with the Moon" e "The Falcon and the
Snowman". Depois que manifestou interesse em encontrar Madonna,
Sean Penn foi levado ao set de "Material Girl" pela diretora do
videoclipe, Mary Lambert. "Sean era alguém cujo trabalho eu
admirava", Madonna contou, "e acho que ele sentia o mesmo em
relação a mim. Nunca pensei nem em um milhão
de anos que pudesse conhecê-lo." No momento em que Madonna,
parada no alto da escada esperando para começar a descida,
percebeu que o estranho ali embaixo era Sean Penn, seu
coração começou a bater mais depressa. Embora
andasse enrabichada com o ator Keith Carradine nessa época
(que aparece no vídeo e com quem foi vista transando entre
uma tomada e outra), sentiu que tinha de conhecer Sean Penn. Mesmo
a um primeiro olhar, ele parecia autoconfiante e petulante -
exatamente seu tipo. Quando finalmente se viram frente a frente no
final da escada, ele não a desapontou. "Ah, veja só",
disse Sean Penn fazendo um gesto com a cabeça para seu
vestido e sua peruca. Com afetação impertinente,
enfiou os polegares nos passadores do cinto de seu jeans e
continuou: "Você pensa mesmo que é Marilyn Monroe,
não é?". Estava brincando, mas Madonna não
achou graça em seu estilo de humor. "Qual é seu
problema?", perguntou irritada. "Não diz nem oi? Vai direto
para o insulto? É assim mesmo, nem diz 'Como vai
você’?" "Oh, desculpe, Marilyn", disse Sean Penn, com a
voz cheia de um falso sarcasmo. Seus olhos eram um pouco
vítreos, um cigarro pendia de seus lábios. Ele
estendeu a mão para ela: "Prazer", disse, com um meio
sorriso caloroso. Madonna caiu na risada. Pegou sua mão e,
numa voz suspirosa de Marilyn Monroe, arrulhou: "O prazer é
meu...". Mais tarde, ela se lembraria: "Eu tinha essa fantasia de
que a gente ia se encontrar, se apaixonar um pelo outro e se casar.
De repente, estava desejando que isso acontecesse. O que posse
dizer é que gamei nele nesse dia. Sei lá, Só
sei que o queria de qualquer jeito". #Q:O lance com Prince:# Logo
depois de seu primeiro encontro no set de "Material Girl", Madonna,
26 anos, e Sean Penn, 24 anos, começaram a sair juntos.
"Depois da filmagem do clipe, fui até a casa de um amigo
meu", explica ele. "Ele tinha um livro de citações,
que abriu aleatoriamente numa página, e leu o seguinte: 'Ela
possuía a inocência de uma criança e a
esperteza de um homem'. Olhei para meu amigo e ele disse apenas:
'Caia matando!'. E foi o que fiz." Mas a coisa complicada para Sean
Penn era que Madonna também andava saindo com Prince, que
conhecera numa outra ocasião nos camarins do American Music
Awards, em Los Angeles, em 28 de janeiro de 1985. Ele não
era seu tipo, e é difícil saber até por que
Madonna estava interessada nele, exceto pelo fato de que o
respeitava como músico e provavelmente apenas queria saber o
que o fazia ser quem era. Prince (cujo nome verdadeiro é
Prince Rogers Nelson) era - ainda é - uma pessoa
excêntrica, notória por exibir um comportamento
estranhamente tímido em particular e uma sensualidade
ultrajante - saracoteando de sunga e salto alto - no palco. Durante
uma entrevista comigo no mesmo ano em que conheceu Madonna, Prince
se recusou a falar. Em vez disso, sentou-se silenciosamente em sua
cadeira diante de um prato chinês e passou a noite inteira
brincando com o arroz e o camarão, o tempo todo de cara
amarrada. Como resposta a cada questão, não acenava
afirmativamente nem sacudia a cabeça em negativa. Quando a
entrevista terminou, foi embora sem dizer tchau. "E isso, meu
amigo, é Prince", disse seu agente a título de
explicação. Em seu primeiro encontro, Prince convidou
Madonna para acompanhá-lo a uma de suas
apresentações em Los Angeles. Embora ela tivesse
agendado uma viagem fora de Nova York para começar os
ensaios de sua própria turnê, decidiu adiá-la
por alguns dias para passar algum tempo com o rock star. Na noite
do show, ele a apanhou numa limusine branca imensa e a levou
até o Forum, onde era a apresentação. Madonna
disse mais tarde que ficou espantada com o forte cheiro de lavanda
da diminuta estrela do rock. "Como uma mulher", ela notou. "Senti
com se estivesse na presença de Elizabeth Taylor. Ele exala
lavanda. Na verdade, aquilo me excitou." Um antigo amigo de Prince,
T. L. Ross, que estava na limusine, recorda: "ouvi que ela era
muito agressiva, que o pobre sujeitinho tinha de se defender. Ela
era muito forte. Segundo ele, tinha a força de dez homens".
Como devia se apresentar naquela noite, Prince não queria
gastar todas suas forças com Madonna, e sugeriu que
esperassem. Após o show, os dois se aventuraram pela noite
de Los Angeles e acabariam no Hotel Marquis, em Westwood, numa
festa com a turma de Prince. A farra ficou da pesada quando ele
subiu numa mesa e começou a tirar a roupa. Subindo junto,
Madonna se atracou com ele numa esfregação, com os
ombros subindo e descendo e o corpo ondulando. A festa só
acabou às cinco da manhã, e Prince e Madonna - de
braços dados, praticamente escorando um ao outro -
retiraram-se para a suíte particular do ídolo. Nos
dois meses seguintes, o casal continuou a se encontrar, embora
não parecessem ter muito mais em comum do que seu status de
superestrelas. Enquanto ela era honesta e direta, ele era calado e
acanhado. Para sorte dos dois, ambos idolatravam Marilyn Monroe.
Quando ele Ihe contou que seu quarto estava abarrotado de posteres
da deusa loira das telas, Madonna disse que não podia
esperar para ver sua memorabilia. Em uma noite romântica,
Prince reservou todo o restaurante Yamashiro, que fica no topo de
uma montanha, com uma vista de tirar o fôlego das luzes da
cidade de Los Angeles. Madonna usava uma saia rendilhada
púrpura com um sutiã preto, de marca, se insinuando
sob a blusa impecavelmente branca. No restaurante, os dois comeram
comida japonesa e então, após três horas do que
pareceu a alguns observadores pouca conversa, partiram para um
clube noturno chamado Façade. "Passei um tempão
rodeando esse assunto porque não sei bem como começar
ou como dizer a você", falou Prince quando estavam no clube
junto com amigos. Estava sendo mais corajoso do que nunca com ela,
e na frente de testemunhas, o que tornava tudo ainda mais
surpreendente. "Madonna, acho que a gente devia ficar junto,
você e eu. Quero que você seja, sabe...minha garota."
Parecendo surpresa, Madonna deixou o pedido em suspense, como que
antecipando um arremate de piada. Mas ele não estava
brincando, e sim esperando sua resposta. "Hummm", disse ela,
franzindo o cenho e olhando como se estivesse tentando imaginar
como lidar com o momento. "Puxa, isso é uma coisa para se
pensar, não é?" Suas palavras não aparentavam
muita convicção. Quando Prince pareceu cabisbaixo,
Madonna pegou sua mão. "Ah, venha, vamos dançar!",
disse-lhe alegremente enquanto o puxava para a pista de
dança. Depois de mais ou menos dois meses, quando já
não havia mesmo mais nada para dizerem um ao outro, Madonna
se encheu. Os dois haviam gravado algumas canções em
seu estúdio de Mineápolis, e uma delas iria
até mesmo ser lançada mais tarde. Mas seus amigos se
recordam que, enquanto ela reclamava de sua passividade, ele se
pegava em sua natureza agressiva. Conforme T. L. Ross: "Prince era
cósmico demais para Madonna. Para ele, fazer amor é
uma experiência espiritual. Para ela - pelo menos na
época -, apenas uma expressão física. Enquanto
Prince queria saborear cada momento do ato, ela sentia orgasmos
múltiplos. Depois de dois meses, ele terminou. Daí,
ela resolveu fazer a cena da mulher desprezada. "Depois que ele
demonstrou não ter mais interesse nela, foi aí que os
telefonemas começaram. Madonna o importunava por semanas .
Mais tarde, ele contou que ela gritava: ‘Como ousa me chutar
desse jeito, não sabe quem sou eu?’. Definitivamente,
não estava acostumada a levar um fora." Contudo, Madonna
teria a última palavra em relação a Prince,
anos mais tarde no Los Angeles Times, em outubro de 1994: "Eu
jantava com Prince e ele só molhava torrada no chá,
muito delicado. Eu enchia o prato de comida diante de mim,
perguntando tipo ‘Você não vai comer?'. Ele
mexia os lábios, sussurrando um 'não'
imperceptível". Em seguida, ela concluiu: "Eu pensei, 'Oh,
meu Deus'. Eu tenho uma teoria sobre gente que não come.
Elas enchem meu saco". #Q:O fim de Warren:# Em agosto de 1990,
depois que Na cama com Madonna foi finalizado, Madonna mostrou a
Warren Beatty e a alguns outros amigos seus uma versão
inicial do filme na sala de projeção da casa de
Beatty. Um amigo dele que estava presente lembra-se de que ela
trouxe pipoca para todo mundo – uma dúzia de pessoas -
e serviu-as com refrigerante, dizendo: "Quero que pareça com
cinema à moda antiga". (Para si mesma, Madonna trouxe uma
garrafa de leite de soja e Cheddar Lites - biscoitos de queijo
lights.) Então, à medida que o filme seguia e se
tornava claro que o linguajar picante de Madonna seria como na vida
real, Warren disse aos amigos: "Minha definição de
à moda antiga e a definição dela parecem
não bater". "Ai, Cristo, quando foi que você ficou
tão puritano!", Madonna perguntou a Warren, com o filme
rodando e ele se encolhendo e fazendo caretas em certas cenas.
"Não se lembra de quando era jovem, livre, rebelde? Quando
não era tão cheio de certezas?" Beatty sorriu
fracamente. "Muito pouco", disse. "Meu velhinho", disse Madonna
carinhosamente, encostando a cabeça em seu ombro. "Teria
sido melhor se tivesse ficado em casa olhando para seu
calendário erótico de 'Garotas de Hollywood dos Anos
80'." Beatty se virou para outro lado desanimado, vendo Madonna
ensinar seus dançarinos a fazer sexo oral, usando uma
garrafa como exemplo. Em outra cena, quando Madonna chama Warren de
"babaca" e bate o telefone na cara dele, ele sacudiu a
cabeça com desaprovação. Provavelmente estava
se perguntando se sua namorada podia dizer a diferença entre
sua vida pessoal e o mundo do entretenimento. Com certeza, para um
homem tão cioso da privacidade como Warren Beatty, a linha
que separa as duas coisas devia parecer um tanto indistinta no
documentário. Mais tarde no filme, uma conversa entre
Madonna e Beatty sobre uma entrega de refeição no
quarto foi registrada pela câmera. "Era algo completamente
insosso", diz o amigo de Beatty que estava presente nessa
projeção. "Não se tratava tanto do que os dois
tinham a dizer, mas sim da maneira como diziam. Madonna se
comportava como uma vadia, como sempre, e Warren era tolerante,
como sempre. Dava pra notar sua tensão crescente à
medida que a cena era exibida na frente de todos, apresentando-o
como alguém que deixava que ela subisse em suas costas.
Havia mais outras cenas com Warren, também, que acho que o
deixavam descontente. "No final, conforme os créditos iam
passando, muita gente aplaudiu. Warren parecia feliz, mas se
você o conhecia saberia que estava apenas fingindo. Ela
não parava de insistir, querendo saber o que estava
acontecendo com ele. "Qual o problema? Você não gostou
do meu filme?", ficava perguntando, como uma criança
esperando a aprovação do pai. Finalmente, ele disse:
"Quer saber? É que estou com dor dw cabeça.
Está tudo bem'. Então, ela começou a esfregar
sua nuca, dizendo coisas como: 'Meu papaizinho querido, está
tão tenso. É tanta coisa na cabeça...'. Pensei
comigo mesmo, Deus do céu, ou ela realmente gosta deste
cara, ou pensa que é o pai dela." No dia seguinte, um
mensageiro do advogado de Warren Beatty Ihe trouxe uma carta. O
papel dizia que certas cenas com Warren deveriam ser cortadas do
filme ou ela seria processada. A maioria dos amigos dela previa uma
reação explosiva de sua parte, contudo, isso
não ocorreu. Se houve alguma discussão entre os dois
sobre a admoestação legal, ninguém ficou
sabendo. "Ela não disse nada a ninguém", conta Niki
Harris. "Mas eu percebi que estava muito triste. E se há uma
coisa que as pessoas que convivem com ela sabem muito bem é
que se Madonna não traz o assunto à baila, é
melhor você ficar quieto. O fato de não ter dito uma
palavra sobre aquilo significava, ao menos para mim, que estava
bastante aborrecida." No final, as cenas em questão foram
removidas do filme. Mais tarde, Madonna se queixou ao escritor Don
Shewey: "Havia conversas ao telefone que eu achava muito
comoventes, tocantes, reveladoras, mas Warren não sabia que
estávamos gravando. Não era justo, sem falar que
é um crime federal. Ele, mais do que ninguém, estava
relutante em ser filmado. No final das contas, acho que não
respeitava o que eu estava fazendo nem levava a coisa a
sério. Simplesmente achava que eu não estava fazendo
merda nenhuma, só um filme caseiro." Por ocasião do
lançamento (maio de 1991), alguns espectadores ficaram
espantados que Madonna houvesse deixado intacto outro memento
surpreendente e genuinamente cândido. Como andava com
problemas de garganta, visitou um médico especialista.
Quando perguntaram a Madonna se queria que a consulta fosse
filmada, Warren Beatty, também presente, observou: "Ela
não quer nem viver longe das câmeras, quanto mais
falar". Após o lançamento do filme, ela explicou:
"Acho que o que Warren estava tentando dizer é que ele
é muito tímido e reservado e não compreende
minha falta de inibição, pois é o oposto de
mim. O que há de tão íntimo em
relação à minha Garganta? guer dizer, meu
Deus, todo mundo sabe quando fiz um aborto, quando me casei, quando
me divorciei, quando estou rompendo com alguém. Minha
garganta agora é tão íntima? De qualquer
maneira, as câmeras não me seguiam 24 horas por dia.
Elas não estavam no quarto quando eu estava trepando". Houve
alguns incidentes, contudo, que Madonna decidiu não mostrar
para o público. Por exemplo, durante as três noites de
apresentações em Boston, ela causou tantos problemas
para a equipe do Boston Harbor Hotel que provavelmente sua passagem
jamais será esquecida por lá. Ela e seu grupo
reservaram mais de trinta quartos do nono ao décimo primeiro
andar, ao custo de 48 mil dólares. As coisas ficaram
difíceis para a cozinha do hotel, pois toda a comida dela
tinha de ser trazida de Hong Kong. "Ficava absolutamente furiosa se
tivesse de esperar mais do que vinte minutos por algum prato
especial", disse Diane Demitri, que era a guest relations nessa
época. "Não sabíamos como fazer aquelas
comidas, e os pobres chefs ficavam na cozinha procurando feito
loucos por instruções em livros de receitas
asiáticos, enquanto Madonna ligava de dez em dez minutos
gritando: 'Cadê a porra do meu macarrão! Cadê a
porra do meu macarrão!'." Madonna também frisou que
nenhum funcionário do hotel podia pedir seu autógrafo
ou tentar conversar com ela se a visse no elevador. "Nenhum
empregado que entrasse em contato com ela estava autorizado a se
dirigir a ela ou mesmo agir como se a houvesse reconhecido", disse
Diane Demitri. "Ela se registrou sob o nome de Kit Moresby [uma
personagem de um de seus livros prediletos, O céu que nos
protege], e mesmo que você soubesse que era Madonna no
interfone pedindo o serviço de quarto, tinha de se dirigir a
ela pelo outro nome. "A governanta me chamou certa manhã e
disse: 'A srta. Moresby está aborrecida porque diz que a
água de seu banho está com uma cor esquisita'.
Disse-lhes para enviar alguém ao seu quarto imediatamente.
Quando o homem chegou lá em cima, deu com a srta. Moresby
metida num robe branco, andando pelo quarto, lívida.
Infelizmente, ela estava certa. O encanamento corroído pela
ferrugem dera um tom levemente escuro à água. Quando
ele se desculpou, a 'srta. Moresby’ pegou a toalha enrolada
em sua cabeça, fez uma bola com ela e atirou em sua
direção. 'Como você espera que uma mulher tome
banho nessa lama?', gritou. Tenho um show para fazer esta noite.
Faz idéia do estresse que estou passando? Faz idéia
do tormento que é minha vida?' "Quando ela e sua turma
deixaram o hotel, todos deram um suspiro de alívio", disse
Diane Demitri. "Quando fomos a sua suíte, vimos que deixara
na bandeja do serviço de quarto um cartão com seu
nome, em que escreveu: 'Que espelunca!'."
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